(ou hybris) é uma doença genética que assola os 'poderosos', os políticos, todos os que podem, querem e por isso mandam. Esquecem-se que: "sic transit gloria mundi". De 'bestiais' a bestas, como os treinadores de futebol.
O dono do 'vírus', que amedrontou, todos os que se recusam a pensar por eles próprios e estão prontos para a injecção atrás da orelha dada pela Ti Vê, Anthony Fauci. Não vai levar muito tempo que, também ele sofra de Alzheimer como o Salgado.
Fui leitor do Expresso desde o seu aparecimento, um dia por moda, por falta de coluna vertebral, decidiram passar a usar o brasileiro do Brasil em vez do Português de Portugal. Na semana seguinte deixaram de ter o leitor e até hoje. Pelos vistos não perderam nada. Estarão a dois passos da falência.
Estes vão-se juntar à minha 'blacklist' , Bacalhôa e Champalimaud, um dia venderam-me rolha de plástico, que eu compro em vinhos correntes, não naqueles em que o preço nada de tem de vulgar de Lineu. Modas, como esta aqui.
Ao menos o Porto, é uma 'naçaum'
Vão ficar com o 'terroir' e eu com o dinheiro, esperando que o destino seja o mesmo do Expresso.
Nesta semana, milhares de jovens portugueses receberam, em vez de uma
nota, um carimbo: “suspenso”. É literalmente o que consta nas pautas de
centenas de provas dos exames nacionais de 2026, depois de um processo
de classificação digital que o próprio Ministério da Educação, Ciência e
Inovação classificou, em comunicado, como afectado por “dificuldades
informáticas”.
As pautas, inicialmente prometidas para 14 de Julho, saíram a 17; a
segunda fase, que deveria arrancar a 16, começou agora a 20 e termina a
24, espremida em menos dias úteis do que os alunos precisavam para
respirar. O ministro Fernando Alexandre garantiu, em audição
parlamentar, que o calendário de acesso ao ensino superior “não
precisará de alterações” – a mesma garantia, dada com a mesma confiança
serena, que já tinha dado sobre a divulgação das notas na própria tarde
em que estas, afinal, não apareceram até depois das 8 da noite!
Assistimos, pois, a mais um episódio da longuíssima novela da escola
pública portuguesa. Vale a pena recuar aos capítulos iniciais para
perceber por que razão a narrativa nunca se altera: muda o ministro,
muda a cor política, muda o eufemismo do dia, mas o enredo – o Estado a
planificar centralmente algo que não sabe planificar – repete-se com a
pontualidade de um relógio suíço avariado.
Foto: Towfiqu barbhuiya
Comecemos pelo princípio, ou seja, há cerca de cinco séculos. Foi
Martinho Lutero quem, na sua carta de 1524 aos governantes alemães, lançou as bases teóricas
da “educação pública”. Lutero não escondia a motivação: comparava a
obrigação de mandar os filhos à escola à obrigação de pegar em armas
para o serviço militar – escravizar jovens –, alegando que se travava de
uma “guerra contra o Diabo”. ↓
O objectivo não era iluminista nem filantrópico – era doutrinário.
Tratava-se de inculcar, à força de lei, uma ortodoxia religiosa numa
população que, até então, se educava de forma dispersa e privada:
escolas paroquiais, universidades, escolas de ofícios geridas pelas
guildas. Na Prússia, era o duque de Württemberg a impor multas aos pais
relapsos em 1559, o rei Frederico Guilherme I a coroar o edifício com o
primeiro sistema nacional de ensino obrigatório em 1717 – e mostra como o
mesmo molde se repete com Calvino em Genebra, onde a frequência escolar
obrigatória servia, sobretudo, para manter a população obediente ao
governo calvinista.
Foi a Reforma, portanto, e não qualquer conselho de sábios
desinteressados, que inventou a ideia de que o Estado tem o direito – o
dever, dizia Lutero – de decidir o que as crianças aprendem e de obrigar
os pais a entregar-lhas para esse fim. Antes de Vestefália, a
autoridade de um príncipe media-se pela sua conformidade com uma ordem
moral universalmente partilhada; depois de Vestefália, cada governante
passou a poder decretar a sua própria verdade e impô-la aos súbditos
através, precisamente, da escola que o Estado passou a controlar. Não
admira que, séculos volvidos, continuemos a discutir currículos “de
cidadania” e “programas de sensibilização” com o mesmo fervor
doutrinário – mudou o catecismo, não mudou o método.
Foto: Road Ahead
Portugal não ficaria de fora desta herança protestante. Coube ao
Marquês de Pombal importar, com um século de atraso mas com entusiasmo
redobrado, a lógica luterana da escola como instrumento do poder.
Expulsos os jesuítas em 1759 – que detinham praticamente o monopólio do
ensino secundário e a melhor universidade do reino, a de Évora –, Pombal
substituiu um monopólio eclesiástico por um monopólio estatal, criando
as chamadas “aulas régias” e lançando as bases daquilo que se viria a
consolidar como sistema público de ensino.
A estátua que hoje preside à rotunda que lhe dá o nome celebra esse
mesmo gesto: a substituição de um fornecedor privado – más ou boas eram
as escolas jesuítas, ao menos competiam entre si e com outras ordens –
por um fornecedor único, armado de lei e de polícia, sem concorrência
possível.
Se hoje o Estado português falha estrondosamente a tarefa mais
simples que lhe atribuiu a si mesmo – publicar uma nota a tempo e horas
–, talvez valha a pena perguntar se a raiz do problema não estará,
precisamente, no monopólio que Pombal solidificou e que ninguém, de
direita ou de esquerda, jamais teve coragem de desmontar.
Foto: Inês Lucas
Aqui chegamos ao cerne económico da questão, que nenhum comentador de
estúdio parece disposto a enunciar: um serviço sem preços é um serviço
sem informação. Fernando Alexandre não gere um ministério; administra um
monopólio que não tem clientes a pagar voluntariamente, não tem
concorrentes que lhe disputem os alunos, não tem sócios ou accionistas a
quem preste contas trimestrais, não tem lucro nem prejuízo que
sinalizem se está a fazer bem ou mal o seu trabalho.
Os “factores de produção” – professores, edifícios, plataformas
informáticas como o tal EduQA que colapsou sob o peso da própria estreia
– são pagos com dinheiro que não foi entregue voluntariamente por
ninguém, mas extraído coercivamente, ou seja, através de um assalto.
Sem preços, não há cálculo económico possível, mas o Estado Moderno
levou o conceito até às últimas consequências: ninguém sabe, de facto,
se o país precisa de mais engenheiros ou menos historiadores de arte, se
uma escola em particular deveria crescer ou fechar, porque não há sinal
de lucro e perda a orientar essa decisão. Decide-se tudo de forma
centralizada – currículos, contratações, calendários – por decreto, e
quando o decreto falha, como falhou agora, a única resposta possível do
sistema é…mais um decreto, a adiar tudo em quatro dias e a torcer para
que a segunda fase corra melhor do que a primeira.
Foto: Manuel Palmeira
Um sistema verdadeiramente descentralizado – em que os pais
contratassem directamente, entre múltiplos prestadores em livre
concorrência, sem barreiras artificiais à entrada de novas escolas ou
universidades, cada qual livre de oferecer o currículo que entendesse –
teria, com toda a probabilidade, mais do que uma “EduQA” a competir por
clientes, e a que falhasse a entrega do produto perderia esses mesmos
clientes para a concorrente ao lado. É precisamente essa disciplina de
mercado – o medo saudável de falir – que falta a um ministério que pode
errar indefinidamente sem que uma única factura deixe de ser paga.
Fernando Alexandre, questionado sobre os sucessivos pedidos de
demissão – o terceiro, aparentemente, vindo do Partido Socialista –,
respondeu que os via como “quase um reconhecimento” do seu trabalho. É
uma frase deliciosa, digna de um comissário soviético em dia inspirado:
quanto mais o sistema falha, mais provas dá o gestor de que está no
caminho certo. É a lógica invertida de qualquer negócio privado, onde o
fracasso repetido em entregar o produto contratado – uma nota, a tempo,
sem erros – normalmente não é celebrado como sinal de mérito, mas como
razão de despedimento.
Continuaremos, decerto, a ouvir que “a educação é prioridade
nacional”, a mesma litania repetida há décadas por governos de todas as
cores, enquanto o edifício erguido por Lutero e importado por Pombal
continua a produzir, com pontualidade suíça, os mesmos resultados:
doutrinação garantida, eficiência nem por sombras. A nota está, de
facto, suspensa. A pergunta que ninguém no poder quer fazer é se não
deveria ser o próprio monopólio a estar suspenso – de preferência,
permanentemente.
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário
a mesma justificativa será válida daqui a algum tempo em Portugal, se as Marias Penas continuarem sem trela e em nome da sua "inclusão", proibirem símbolos ligados ao Natal.
Arrisco pensar que, as palavras do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, vão cair em saco roto.
"Nascido no Paquistão, Shabir Ahmed, um líder de gangues de estupro
recentemente libertado no Reino Unido depois de cumprir uma pena de
prisão por dezenas de crimes sexuais infantis, cometeu seus crimes por
causa de sua educação na Inglaterra, disse o porta-voz do Ministério das
Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, nesta quinta-feira.
O
homem de 73 anos, que entrou pela primeira vez no Reino Unido quando
adolescente, era uma figura de liderança na gangue de aliciamento de
Rochdale, que abusava sexualmente e traficava meninas britânicas a
partir de 12 anos no bairro da Grande Manchester durante os anos 2000.
Ahmed
foi libertado da prisão sob supervisão no início de junho, depois de
cumprir 14 anos. As autoridades britânicas não conseguiram deportá-lo
por causa de uma disposição que protegia certos cidadãos da Commonwealth
que residiam no Reino Unido antes de 1973, apesar de sua cidadania
britânica ter sido revogada após suas condenações de 2012.
"O assunto em questão é inteiramente um assunto interno do Reino Unido", disse Andrabi em uma coletiva de imprensa.
Independentemente
de onde [Ahmed] nasceu, o ônus está sobre onde ele cresceu, foi criado,
preparado e, infelizmente, foi mimado. Seus crimes hediondos exigem uma grave introspecção em vez de uma busca por causas estranhas.
O porta-voz ressaltou que Islamabad condena veementemente o abuso sexual infantil, que deve ser “punido em toda a extensão da lei, independentemente de raça, etnia ou religião”, mas insistiu que o Paquistão “não tem nenhuma conexão com esse assunto” e “não pode ser associado” a quaisquer decisões relacionadas.
Na segunda-feira, a secretária do Interior do Reino Unido, Shabana
Mahmood, anunciou planos para alterar a Lei de Imigração para remover a
barreira legal que impede a deportação de Ahmed.
A gangue de
estupro de Rochdale foi uma das muitas gangues de grooming,
predominantemente compostas por homens de origem paquistanesa, que
sistematicamente estupraram e traficaram sexualmente jovens meninas
britânicas vulneráveis em todo o Reino Unido ao longo de décadas.
O
escândalo das gangues voltou aos holofotes da política britânica no ano
passado, forçando o governo trabalhista a anunciar um inquérito
nacional, que desenterrou “cegueira, ignorância, preconceito, defesa” e falhas sistemáticas da polícia e dos órgãos públicos para proteger as vítimas e agir sobre relatos de abuso. "
a pomboca? ou o pomboco? acho que fica melhor pomboca.
A pomboca saiu de casa a dizer, eu hoje sou um falcão, ou melhor, uma falcoa. Não são só elas, que podem ser, nós também podemos ser, desde que queiramos.
Lá foi abanando o rabo penado direita ao covil do falcão. Se o falcão disser alguma coisa, ela pomboca chama a polícia defensora dos animais transviados e acusará o falcão homofóbico do crime de ódio de género.
No reino dos verdadeiros animais as coisas são um pouco mais complicadas, do que no reino dos seus primos de duas patas imbuídos da ideologia 'woke'.
porque isto de Liberdade é coisa que desagrada a quem manda e tem os dias contados.
Sim!, tem os dias contados.
Se reparem bem, a esquerda já não fala nela, fala na inclusão, fala na igualdade, fala no género, ... eles já não querem ser livres, quem poder parir também, se biologicamente forem homens.
Assim, aqui fica o artigo de Luís Gomes no Página Um:
para o caso de o site ser bloqueado, confiscado, 'deletado', cancelado, sancionado, ... pelos mastins que servem o Poder, é mais uma cópia, na esperança de que, haja outras também e não possa ser apagada facilmente, a não ser com um apagão eléctrico provocado pelo excesso de energia fotovoltaica. 😀
" Hélder Rosalino e o seu panegírico ao euro digital no ECO
Luís Gomes
17 - 23 minutos
Hélder Rosalino serviu-nos um ditirambo ao euro digital no jornal ECO,
onde a conclusão vem decidida: o Banco Central Europeu figura como a
personificação do Bem, a soberania monetária como o grande desígnio e
toda a inquietação com a liberdade individual, a privacidade ou a
concentração de poder nas mãos de uma instituição monopolista é
despachada como mera “preocupação intuitiva”.
A pessoa comum receia que uma moeda digital emitida por um Banco
Central permita conhecer, registar, vigiar, condicionar e, no extremo,
impedir as suas transacções. É intuitivo. Pergunta o que sucederá quando
desaparecer o numerário e toda a sua vida económica ficar refém de uma
infra-estrutura digital nas mãos de uma autoridade central. Intuitivo,
também.
Recorda-se, talvez, de que há poucos anos os Estados que se diziam
democráticos e limitados por constituições proibiram as pessoas de sair
de casa, trabalhar, abrir os seus estabelecimentos, viajar ou entrar em
certos lugares sem exibirem um certificado sanitário que assegurava a
toma de uma inoculação experimental. Deve ser outra intuição.
Foto: Pilar Rubio
Racional, ao que parece, é entregar ainda mais poder a quem já detém o
monopólio da moeda. O artigo anuncia que o euro digital “passou o
primeiro teste político”. A Comissão dos Assuntos Económicos e
Monetários do Parlamento Europeu aprovou uma posição negocial favorável
ao projecto e, segundo o autor, a grande questão já não é saber se a
Europa deve adoptar uma moeda digital pública. Resta discutir em que
termos há-de nascer. ↓
Velha artimanha. Primeiro apresenta-se como inevitável aquilo que
ainda não aconteceu. Depois declara-se ultrapassada a discussão sobre se
deveria acontecer. Por fim, concede-se o privilégio de discutir os
pormenores daquilo que outros já decidiram: pode apenas escolher a cor e
a forma das algemas.
O argumento nuclear é o da “soberania monetária”. A Europa,
explica-se, depende em excesso de empresas como a Visa, a Mastercard, a
Apple ou a Google para os pagamentos digitais e enfrenta a concorrência
crescente de stablecoins privadas em dólares norte-americanos, como a
USDT, emitida pela Tether, e a USDC, emitida pela Circle. Segue-se a
conclusão: precisamos de um euro digital emitido pelo Banco Central
Europeu. Extraordinário!
Foto: Mehrpouya H
Se os europeus escolhem de livre vontade a Visa, a Mastercard, a
Apple Pay, a Google Pay, a USDT ou a USDC, eis um problema de soberania.
Mas se forem constrangidos a usar uma moeda monopolista, produzida por
uma instituição supranacional que ninguém elegeu para tal fim e cuja
política monetária lhes destrói as poupanças – o euro perdeu mais de 90% frente ao ouro desde a sua criação!
– então temos “liberdade, autonomia e progresso institucional”.
Dificilmente se encontrará melhor retrato da inversão moral do nosso
tempo.
Uma empresa privada tem de convencer alguém a usar os seus serviços. A
Visa não pode obrigar um português a trazer um cartão Visa na
algibeira. A Mastercard não pode entrar-lhe pela casa dentro e
confiscá-lo. A Apple não pode decretar que todo o comerciante aceite
Apple Pay. A Circle não pode compelir ninguém a possuir USDC. A Tether
não pode impor a USDT como unidade de conta.
Ao contrário, o Banco Central Europeu não precisa de convencer ninguém. O euro tem curso legal.
Os impostos cobram-se em euros. As dívidas liquidam-se em euros. Os
bancos vivem dentro de um sistema erguido em redor do euro. Os Estados
pagam salários, pensões e fornecedores em euros; sobretudo, o BCE goza
de um privilégio que nenhuma daquelas empresas possui: pode criar moeda
sem produzir um único bem ou serviço que alguém tenha escolhido
comprar-lhe. Mas o perigo, informam-nos, são as empresas privadas.
Foto: rupixen
Chega então Hélder Rosalino à frase mais extraordinária do seu
encómio ao euro digital: “Grande parte das críticas ao euro digital
assenta em preocupações intuitivas, como o receio de vigilância, o risco
para a banca ou a defesa do numerário.” O receio da vigilância é,
portanto, uma preocupação intuitiva. Convém perguntar porquê.
Nada se sabe sobre em que bolso se encontra uma nota de cinquenta
euros. Não se conhece o nome do comprador. Não se regista a hora da
transacção. Não se sabe o que foi comprado. Não se denuncia a
localização de ninguém. Não se pergunta ao Banco Central Europeu se pode
circular. Não tem memória. Não guarda arquivo. Não pode ser desligada à
distância. É um objecto.
Uma moeda digital emitida por um Banco Central é o seu contrário.
Vive numa infra-estrutura electrónica, tem de ser registada, autenticada
e transferida por sistemas informáticos. Deixa rasto; ainda que hoje se
prometa determinado grau de privacidade, a questão essencial não está
naquilo que os burocratas e banqueiros centrais juram fazer em 2026.
Está naquilo que a infra-estrutura permitirá fazer em 2030, 2040 ou
2050.
Foto: MAHDI HAJIZADE
Porque o poder político muda. As leis mudam. Surgem “emergências”,
terroristas que derrubam arranha-céus sem aviões, supostas pandemias,
supostas alterações climáticas, “desinformação e extremismo”. Surge
sempre, por singular coincidência, uma óptima razão para o Estado
precisar de mais informação, mais controlo e mais uma pequena excepção à
liberdade que na véspera jurara não tocar. A história do Estado moderno
é a história de poderes ditos temporários que adquirem a curiosa
vocação de se tornarem eternos.
Um dinheiro programável não é apenas dinheiro que pode ser vigiado. É
dinheiro que pode ser condicionado. A arquitectura permite, em tese,
restringir o seu uso em certos bens, limitar transacções, estabelecer
prazos de validade, impor taxas distintas ou impedir a fuga para activos
que o poder político considere inconvenientes. Podem jurar que nada
disso acontecerá. O problema é outro: por que razão construir a máquina?
Mas o artigo de Hélder Rosalino pede-nos confiança.
O euro digital, explica, será uma “versão digital” do numerário. Ora,
surge aqui uma pequena dificuldade que o próprio autor confessa sem
notar a contradição: haverá limites à quantidade de euros digitais que
cada pessoa poderá possuir. Porquê? Para que as pessoas não retirem os
depósitos dos bancos comerciais e os transfiram para moeda emitida pelo
Banco Central.
Foto: Ian Talmacs
Traduza-se para bom português: o Estado deseja criar uma moeda que
afirma ser igual ao numerário, mas não consentirá que cada pessoa possua
a quantidade que bem entenda porque, a consenti-lo, muita gente a
preferiria aos depósitos bancários. Tal, revelaria um pequeno segredo,
algo embaraçoso, do nosso sistema financeiro: o dinheiro que temos
depositado no banco não está, propriamente, no banco.
Um depósito bancário é um crédito sobre uma instituição. O banco
recebeu o dinheiro e serviu-se dele. Emprestou-o. Aplicou-o. Criou novos
créditos. Se todos os depositantes quiserem, ao mesmo tempo, recuperar
aquilo que julgam ser seu, o banco não terá como entregar. Chama-se a
isto a prática de reservas fraccionárias.
O euro digital, sendo um passivo directo do Banco Central, seria
diferente; é por ser que há-de ser limitado. Se fosse igual a uma nota
de papel, não haveria razão para lhe impor um tecto. Ninguém proíbe um
homem de guardar dez mil, cem mil ou um milhão de euros em notas no seu
cofre de casa. Mas no admirável mundo novo do euro digital e de Hélder
Rosalino haverá um limite.
Foto: Andre Taissin
O artigo tem isto por virtude. O limite existe, diz-se, “precisamente
para evitar a desintermediação bancária”. A palavra “precisamente”
empresta à arbitrariedade um ar de ciência. Convém dizer o que o
eufemismo disfarça: o limite não protege a pessoa comum; protege os
bancos das suas escolhas.
Imagine-se a mesma lógica aplicada a qualquer outro ramo do comércio.
Os fregueses começam a abandonar uma cadeia de mercearias e preferem
outra. O Estado intervém e fixa um limite mensal às compras na mercearia
preferida, para evitar a fuga de clientes da menos eficiente. As
pessoas compram automóveis em excesso de certa marca; o Governo limita
as compras para proteger os outros fabricantes. Seria absurdo?! Na banca
de Hélder Rosalino chama-se estabilidade financeira.
Eis uma das grandes ironias do texto. O autor pretende defender o
euro digital como instrumento de “soberania e liberdade” perante grandes
empresas privadas, mas acaba por confessar que o sistema terá de
cercear a liberdade para proteger os bancos comerciais das escolhas
livres.
Foto: Milad Fakurian
Quem é, afinal, o soberano? Não é o indivíduo. Disso podemos
prescindir. Prossegue o artigo com uma defesa histórica dos Bancos
Centrais que merece reparo. Diz-se que, no século XIX, muitos bancos
privados resistiram à sua criação, receosos de que “comprometessem o
sistema financeiro”, mas que sucedeu o contrário: os Bancos Centrais
“estabilizaram” o sistema e permitiram uma expansão mais segura da
intermediação financeira.
Versão enternecedora de Hélder Rosalino da história monetária. Os
Bancos Centrais permitiram institucionalizar a expansão do crédito
fiduciário, socializar as perdas do sistema bancário, criar um
emprestador de última instância e eliminar os mecanismos de disciplina
que limitavam a criação de moeda do nada. Um banco que sabe poder falir
comporta-se de forma distinta daquele que sabe que, em caso de
catástrofe, chegará o Banco Central com a sua mangueira de liquidez.
Chama-se a isto risco moral.
Eis a estabilidade que os Bancos Centrais nos deram: a Grande
Depressão, o fim de Bretton Woods, a inflação dos anos 70, a bolha
tecnológica, a crise do subprime, a crise das dívidas soberanas
e a inflação da suposta pandemia. Uma sucessão de incêndios apagados
com mais gasolina, enquanto o corpo de bombeiros reclama louvores pela
estabilidade do edifício!
Foto: Igor Omilaev
Também seria curioso explicar aos europeus que sofreram a recente
inflação – o Banco Central Europeu expandiu o seu balanço em 4 biliões
de euros – que o sistema monetário é de uma estabilidade maravilhosa.
Talvez não tenham dado por ela!
O BCE cria euros. Os euros novos entram na economia por certos canais
e beneficiam primeiro quem os recebe, antes que os preços se ajustem.
Quando chegam ao trabalhador, ao pensionista ou ao pequeno aforrador, os
preços já subiram. Richard Cantillon explicou o fenómeno há cerca de
trezentos anos. Ainda hoje parece revolucionário para alguns economistas
e, aparentemente, também para Hélder Rosalino.
A criação de moeda não fabrica casas, automóveis, trigo, energia,
máquinas, medicamentos ou sapatos. Se existirem cem bens e cem unidades
de moeda e alguém criar mais cem unidades, não aparecem por encanto
duzentos bens. O que mudou foi a distribuição do poder de compra. Quem
recebe primeiro o dinheiro novo compra aos preços antigos. Quem o recebe
por último enfrenta os preços novos. É uma transferência de riqueza.
Foto: Iuliia Pilipeichenko
Quando um falsário imprime notas em casa e compra um automóvel,
ninguém lhe chama exercício de soberania monetária. Chamamos-lhe crime.
Se um Banco Central cria milhares de milhões de euros num teclado,
compra activos e altera a distribuição da riqueza, chamamos-lhe política
monetária. A diferença parece residir no tamanho do edifício onde está
instalado o computador.
Insiste depois o artigo na “ameaça” das stablecoins privadas
denominadas em dólares norte-americanos. A USDT e a USDC podem crescer,
integrar sistemas de pagamento e aumentar a influência do dólar
norte-americano. É possível. Qual o problema, mesmo? Se milhões de
pessoas preferirem usar uma stablecoin em dólares norte-americanos,
ouro, francos suíços, bitcoins ou conchas do Pacífico, com que
autoridade moral há-de uma instituição política impedi-las?
Convém perguntar o que significa, afinal, esta palavra tão repetida:
soberania. Tenho soberania sobre o meu dinheiro quando não preciso de
licença de um terceiro para o entregar a quem bem entenda. É o que
sucede com o numerário, que passa de mão em mão sem pedir licença. É o
que sucede com o Bitcoin guardado numa carteira privada, sem
intermediário, sem custodiante, sem senhor.
Foto: Igal Ness
Ora, se a soberania existe quando o indivíduo dispensa o
consentimento alheio e desaparece quando um funcionário de Frankfurt
pode registar, travar ou impedir uma transacção, cabe perguntar:
soberania para quem?
A palavra “soberania” serve aqui para esconder a única soberania que
incomoda o Estado: a soberania do indivíduo sobre a sua propriedade. A
soberania monetária do Estado significa que o Estado escolhe a moeda. A
liberdade monetária significa que cada pessoa escolhe a sua. São
conceitos opostos.
Se o euro for “boa” moeda, os europeus usá-lo-ão. Se o euro digital
oferecer privacidade, segurança, eficiência e custos baixos, as pessoas
escolhê-lo-ão. Se não conseguir competir com a USDT, a USDC, o Bitcoin
ou outra forma de dinheiro, talvez o problema não esteja nas pessoas.
Talvez esteja no produto. Mas os monopolistas nunca apreciaram a
concorrência. Preferem chamar-lhe ameaça sistémica, risco geopolítico ou
perda de soberania. Fica melhor.
Foto:Joshua Hoehn
Hélder Rosalino termina o texto com uma frase grandiloquente: “Moedas
fortes não são apenas unidades de conta. São também arquitecturas
institucionais cuidadosamente construídas.” É verdade, mas falta
perguntar: construídas por quem, para benefício de quem e com que
direito?
Durante milénios, o ouro e a prata tornaram-se dinheiro sem Comissão
Europeia, sem regulamento, sem Banco Central e sem Comissão dos Assuntos
Económicos e Monetários do Parlamento Europeu. Ninguém se reuniu numa
sala em Bruxelas para decretar que o ouro serviria de reserva de valor.
Nasceu do mercado porque milhões de homens, ao longo de gerações e
milénios, nele reconheceram escassez, durabilidade, divisibilidade,
fungibilidade e dificuldade de produção. O dinheiro nasceu no mercado.
No entanto, o Estado apropriou-se dele. Primeiro cunhou as moedas.
Depois reduziu-lhes o teor metálico. Depois emitiu papel convertível em
ouro. Depois suspendeu, a título provisório, a convertibilidade. O
provisório fez-se permanente. Por fim, ficou o papel sem ouro e o
monopólio dos Bancos Centrais sobre a criação de moeda. Agora querem
eliminar também o papel. Hélder Rosalino pede-nos que não tenhamos
preocupações intuitivas.
Foto: Jp Valery
Talvez o maior perigo do euro digital não esteja naquilo que os seus
defensores escondem. Está naquilo que dizem em público sem se
aperceberem da enormidade do que dizem. Dizem-nos que o Estado deve
controlar a infra-estrutura monetária. Dizem-nos que a quantidade de
dinheiro digital que podemos possuir deve ser limitada para proteger os
bancos. Dizem-nos que a concorrência de moedas privadas ameaça a
soberania. Dizem-nos que o receio da vigilância é uma objecção
incompleta. Dizem-nos que a história demonstra as “virtudes” dos Bancos
Centrais. Ainda dizem tudo isto em nome da “liberdade, da estabilidade e
da autonomia”. George Orwell, no seu 1984, teria apreciado o esforço.
O euro digital não é apenas uma nova forma de pagamento. É a
construção de uma infra-estrutura que torna possível um grau de controlo
monetário que nenhum soberano da história alguma vez possuiu. Luís XIV
podia cobrar impostos, cunhar moeda, desvalorizá-la e mandar homens para
a Bastilha. Mas não podia saber, em tempo real, onde cada súbdito
gastava cada moeda, nem impedir no mesmo instante uma compra a centenas
de quilómetros de distância. O BCE poderá ter essa capacidade.
Podem jurar que não a usarão. Podem escrever salvaguardas. Podem
redigir regulamentos. Podem prometer respeito pela privacidade. Fica
sempre uma pergunta: por que razão haveríamos de forjar uma arma e
entregá-la a uma instituição monopolista, na esperança de que todos os
seus futuros dirigentes, em todas as futuras crises, sob todos os
futuros governos, resistam para sempre à tentação de a empunhar?
Foto: Rohan Makhecha
Hélder Rosalino termina perguntando se a Europa pretende construir a
sua própria arquitectura monetária ou depender daquela que outros
construíram. Há uma terceira possibilidade, tão perigosa que quase nunca
a menciona: deixar as pessoas escolher.
Deixar que cada pessoa decida se quer euros, dólares
norte-americanos, ouro, Bitcoin, USDT, USDC ou qualquer outra forma de
dinheiro que outrem aceite de livre vontade numa transacção. Sem curso
legal obrigatório. Sem monopólio. Sem Banco Central. Sem um funcionário
em Frankfurt a decidir a taxa de juro para milhões e milhões de almas.
Sem Christine Lagarde a explicar-nos que a inflação está “quase”
dominada enquanto o nosso dinheiro compra cada vez menos. Isso seria
soberania. É por isso que nunca se ouvirá um banqueiro central ou Hélder
Rosalino a defendê-la.
Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário "
No primeiro link supra, a presença de gente deveria ser incentivada e não combatida. O pior cego é o que não quer ver. Foi a despovoação que contribuiu em parte para o estado actual do matagal. Claro que hoje já ninguém apanha erva para a cama do gado, nem para outras aplicações. Todos têm botija de gás, télélé, se a operador reparar a torre ardida, todos andam de carro, já ninguém tem macho, nem burro, a não ser os que elegem alegremente como"seu" (acham eles que é seu, e não do partido em que votam na lista) representante. A actuação repressiva percebe-se, se a virmos pelo prisma do SIADAP. Indicadores de desempenho, quantas mais multas, mais "eficiência". 😀
No segundo link, é a confusão habitual com gente citadina, olham para a árvore e veem a Floresta. Também se percebe, se tivermos em conta que esta miudagem nunca viu uma Floresta, floresta essa que não existe em Portugal, e para agravar, acha que, parindo "leis", o problema se resolve.
Por fim mas não por último o votante, que acha que a sua cor é a melhor.
As cabras de que fala Henrique Pereira dos Santos no artigo do Público, existem aos montes, os queijos feitos com o leite delas, é que não.
Os que nasceram em 1976, 😁, têm essa idade, os que em 1976 tinham 20 anos, têm agora 70.
Os factos passaram-se dois anos antes, em 1974.
Socorro-me do que escreveu Otelo Saraiva de Carvalho no livro "O dia inicial - 25 de Abril Hora a Hora" , 1ª Edição, Março de 2011, Editado pela Editora Objectiva.
Diz ele:
transcrevo:
" 22:45
Pouco antes da emissão do primeiro sinal, chegam ao Posto de Comando mais notícias de uma missão falhada.
(...) O capitão Homero Figueira apareceu no Posto de Comando cheio de maus presságios. a comunicar que falhara o seu contacto com o major Gomes da Silva do Regimento de Cavalaria 8 [RC8], de Castelo Branco, e que não tinha garantia alguma de que o Batalhão de Caçadores 6 [BC6] - onde lhe parecia que o nosso homem, capitão Freixo, podia ser abafado pelo volumoso major Ferreira Dias - arrancasse para o cumprimento da missão.
- Vês, era o que eu te dizia! Não se chegou a fazer o levantamento psicológico do pessoal em todo o país! Vais ver que ainda vão aparecer mais casos de malta a borregar.
Para o "animar" disse-lhe do RI 1.
- Tás a ver? Ainda hão-de ser mais! - agourava ele, pessimista.
- É preciso é que não sejam todos ripostei para lhe levantar o moral. "
Quando passados 52 anos, olho para o que foi o espaço ocupado pelo Regimento de Cavalaria 8 (RC8) e vejo isto:
"Praça 25 de Abril" by _morgado
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Tenho forçadamente que concluir, que os autores da cacada ainda não eram nascidos e que, são pouco dados ao conhecimento da História.
Aqui onde foi a parada do RC8, ergue-se agora este pedaço de granito, erguido por socialistas de pacotilha.
Se queriam homenagear, deveriam ter escrito 24 de Abril.
Porque quem cala, consente, os que ficaram nas covas, abstendo-se, não saindo, podem ser homenageados por estes "socialistas", não podem é ser branqueados, já que não saíram para acabar com "o estado a que chegámos", palavras de Salgueiro Maia na madrugada de 25 de Abril na Escola Prática de Cavalaria (EPC):