30/07/2026

Húbris

(ou hybris)  é uma doença genética que assola os 'poderosos', os políticos, todos os que podem, querem e por isso mandam. Esquecem-se que: "sic transit gloria mundi". De 'bestiais' a bestas, como os treinadores de futebol.

O dono do 'vírus', que amedrontou, todos os que se recusam a pensar por eles próprios e estão prontos para a injecção atrás da orelha dada pela Ti Vê,  Anthony Fauci. Não vai levar muito tempo que, também ele sofra de Alzheimer como o Salgado. 

Pudera!!!!!!!!

https://www.paginaum.pt/2026/07/30/voce-enriqueceu-enquanto-pessoas-morriam 

Que vos sirva de exemplo, para a próxima "pandemia" que eles inventarem. Não deve tardar muito, os dividendos para os accionistas, oblige!

28/07/2026

Rídículo

 Borba, é uma sub-região da região do Alentejo.

'Terroir' de Borba?

Fui leitor do Expresso desde o seu aparecimento, um dia por moda, por falta de coluna vertebral, decidiram passar a usar o brasileiro do Brasil em vez do Português de Portugal. Na semana seguinte deixaram de ter o leitor e até hoje. Pelos vistos não perderam nada. Estarão a dois passos da falência. 

Estes vão-se juntar à minha 'blacklist' , Bacalhôa e Champalimaud, um dia venderam-me rolha de plástico, que eu compro em vinhos correntes, não naqueles em que o preço nada de tem de vulgar de Lineu. Modas, como esta aqui.

Ao menos o Porto, é uma 'naçaum' 

Vão ficar com o 'terroir' e eu com o dinheiro, esperando que o destino seja o mesmo do Expresso. 

"rolha" by _morgado is licensed under CC BY 4.0

 O autor da 'ideia' não deve ser alentejano. 


 

22/07/2026

A limpinha Suíça também

exportou a escória de alumínio para Portugal. 

https://zero.ong/noticias/afinal-escorias-de-aluminio-da-metalimex-ficaram-em-portugal/ 

O limpinho Japão não faz nada, que os países limpinhos não façam. 

Exporta a escória para a Indonésia. 

 

"bateria" by _morgado is licensed under CC BY 4.0

21/07/2026

O desastre dos exames nacionais tem 500 anos

 

https://www.paginaum.pt/2026/07/21/o-desastre-dos-exames-nacionais-tem-500-anos 

paginaum.pt

O desastre dos exames nacionais tem 500 anos

Luís Gomes

Nesta semana, milhares de jovens portugueses receberam, em vez de uma nota, um carimbo: “suspenso”. É literalmente o que consta nas pautas de centenas de provas dos exames nacionais de 2026, depois de um processo de classificação digital que o próprio Ministério da Educação, Ciência e Inovação classificou, em comunicado, como afectado por “dificuldades informáticas”.

As pautas, inicialmente prometidas para 14 de Julho, saíram a 17; a segunda fase, que deveria arrancar a 16, começou agora a 20 e termina a 24, espremida em menos dias úteis do que os alunos precisavam para respirar. O ministro Fernando Alexandre garantiu, em audição parlamentar, que o calendário de acesso ao ensino superior “não precisará de alterações” – a mesma garantia, dada com a mesma confiança serena, que já tinha dado sobre a divulgação das notas na própria tarde em que estas, afinal, não apareceram até depois das 8 da noite!

Assistimos, pois, a mais um episódio da longuíssima novela da escola pública portuguesa. Vale a pena recuar aos capítulos iniciais para perceber por que razão a narrativa nunca se altera: muda o ministro, muda a cor política, muda o eufemismo do dia, mas o enredo – o Estado a planificar centralmente algo que não sabe planificar – repete-se com a pontualidade de um relógio suíço avariado.

white and pink analog alarm clock
Foto: Towfiqu barbhuiya

Comecemos pelo princípio, ou seja, há cerca de cinco séculos. Foi Martinho Lutero quem, na sua carta de 1524 aos governantes alemães, lançou as bases teóricas da “educação pública”. Lutero não escondia a motivação: comparava a obrigação de mandar os filhos à escola à obrigação de pegar em armas para o serviço militar – escravizar jovens –, alegando que se travava de uma “guerra contra o Diabo”.

O objectivo não era iluminista nem filantrópico – era doutrinário. Tratava-se de inculcar, à força de lei, uma ortodoxia religiosa numa população que, até então, se educava de forma dispersa e privada: escolas paroquiais, universidades, escolas de ofícios geridas pelas guildas. Na Prússia, era o duque de Württemberg a impor multas aos pais relapsos em 1559, o rei Frederico Guilherme I a coroar o edifício com o primeiro sistema nacional de ensino obrigatório em 1717 – e mostra como o mesmo molde se repete com Calvino em Genebra, onde a frequência escolar obrigatória servia, sobretudo, para manter a população obediente ao governo calvinista.

Foi a Reforma, portanto, e não qualquer conselho de sábios desinteressados, que inventou a ideia de que o Estado tem o direito – o dever, dizia Lutero – de decidir o que as crianças aprendem e de obrigar os pais a entregar-lhas para esse fim. Antes de Vestefália, a autoridade de um príncipe media-se pela sua conformidade com uma ordem moral universalmente partilhada; depois de Vestefália, cada governante passou a poder decretar a sua própria verdade e impô-la aos súbditos através, precisamente, da escola que o Estado passou a controlar. Não admira que, séculos volvidos, continuemos a discutir currículos “de cidadania” e “programas de sensibilização” com o mesmo fervor doutrinário – mudou o catecismo, não mudou o método.

a row of wooden chairs sitting next to each other
Foto: Road Ahead

Portugal não ficaria de fora desta herança protestante. Coube ao Marquês de Pombal importar, com um século de atraso mas com entusiasmo redobrado, a lógica luterana da escola como instrumento do poder. Expulsos os jesuítas em 1759 – que detinham praticamente o monopólio do ensino secundário e a melhor universidade do reino, a de Évora –, Pombal substituiu um monopólio eclesiástico por um monopólio estatal, criando as chamadas “aulas régias” e lançando as bases daquilo que se viria a consolidar como sistema público de ensino.

A estátua que hoje preside à rotunda que lhe dá o nome celebra esse mesmo gesto: a substituição de um fornecedor privado – más ou boas eram as escolas jesuítas, ao menos competiam entre si e com outras ordens – por um fornecedor único, armado de lei e de polícia, sem concorrência possível.

Se hoje o Estado português falha estrondosamente a tarefa mais simples que lhe atribuiu a si mesmo – publicar uma nota a tempo e horas –, talvez valha a pena perguntar se a raiz do problema não estará, precisamente, no monopólio que Pombal solidificou e que ninguém, de direita ou de esquerda, jamais teve coragem de desmontar.

black sedan parked on parking space
Foto: Inês Lucas

Aqui chegamos ao cerne económico da questão, que nenhum comentador de estúdio parece disposto a enunciar: um serviço sem preços é um serviço sem informação. Fernando Alexandre não gere um ministério; administra um monopólio que não tem clientes a pagar voluntariamente, não tem concorrentes que lhe disputem os alunos, não tem sócios ou accionistas a quem preste contas trimestrais, não tem lucro nem prejuízo que sinalizem se está a fazer bem ou mal o seu trabalho.

Os “factores de produção” – professores, edifícios, plataformas informáticas como o tal EduQA que colapsou sob o peso da própria estreia – são pagos com dinheiro que não foi entregue voluntariamente por ninguém, mas extraído coercivamente, ou seja, através de um assalto.

Sem preços, não há cálculo económico possível, mas o Estado Moderno levou o conceito até às últimas consequências: ninguém sabe, de facto, se o país precisa de mais engenheiros ou menos historiadores de arte, se uma escola em particular deveria crescer ou fechar, porque não há sinal de lucro e perda a orientar essa decisão. Decide-se tudo de forma centralizada – currículos, contratações, calendários – por decreto, e quando o decreto falha, como falhou agora, a única resposta possível do sistema é…mais um decreto, a adiar tudo em quatro dias e a torcer para que a segunda fase corra melhor do que a primeira.

a cement wall with graffiti written on it
Foto: Manuel Palmeira

Um sistema verdadeiramente descentralizado – em que os pais contratassem directamente, entre múltiplos prestadores em livre concorrência, sem barreiras artificiais à entrada de novas escolas ou universidades, cada qual livre de oferecer o currículo que entendesse – teria, com toda a probabilidade, mais do que uma “EduQA” a competir por clientes, e a que falhasse a entrega do produto perderia esses mesmos clientes para a concorrente ao lado. É precisamente essa disciplina de mercado – o medo saudável de falir – que falta a um ministério que pode errar indefinidamente sem que uma única factura deixe de ser paga.

Fernando Alexandre, questionado sobre os sucessivos pedidos de demissão – o terceiro, aparentemente, vindo do Partido Socialista –, respondeu que os via como “quase um reconhecimento” do seu trabalho. É uma frase deliciosa, digna de um comissário soviético em dia inspirado: quanto mais o sistema falha, mais provas dá o gestor de que está no caminho certo. É a lógica invertida de qualquer negócio privado, onde o fracasso repetido em entregar o produto contratado – uma nota, a tempo, sem erros – normalmente não é celebrado como sinal de mérito, mas como razão de despedimento.

Continuaremos, decerto, a ouvir que “a educação é prioridade nacional”, a mesma litania repetida há décadas por governos de todas as cores, enquanto o edifício erguido por Lutero e importado por Pombal continua a produzir, com pontualidade suíça, os mesmos resultados: doutrinação garantida, eficiência nem por sombras. A nota está, de facto, suspensa. A pergunta que ninguém no poder quer fazer é se não deveria ser o próprio monopólio a estar suspenso – de preferência, permanentemente.

Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário


18/07/2026

Educação

a mesma justificativa será válida daqui a algum tempo em Portugal, se as Marias Penas continuarem sem trela e em nome da sua "inclusão", proibirem símbolos ligados ao Natal.

Arrisco pensar que, as palavras do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, vão cair em saco roto. 

https://swentr.site/news/643154-islamabad-grooming-gang-leader-uk/ 

"Nascido no Paquistão, Shabir Ahmed, um líder de gangues de estupro recentemente libertado no Reino Unido depois de cumprir uma pena de prisão por dezenas de crimes sexuais infantis, cometeu seus crimes por causa de sua educação na Inglaterra, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, nesta quinta-feira.

O homem de 73 anos, que entrou pela primeira vez no Reino Unido quando adolescente, era uma figura de liderança na gangue de aliciamento de Rochdale, que abusava sexualmente e traficava meninas britânicas a partir de 12 anos no bairro da Grande Manchester durante os anos 2000.

Ahmed foi libertado da prisão sob supervisão no início de junho, depois de cumprir 14 anos. As autoridades britânicas não conseguiram deportá-lo por causa de uma disposição que protegia certos cidadãos da Commonwealth que residiam no Reino Unido antes de 1973, apesar de sua cidadania britânica ter sido revogada após suas condenações de 2012.

"O assunto em questão é inteiramente um assunto interno do Reino Unido", disse Andrabi em uma coletiva de imprensa.

Independentemente de onde [Ahmed] nasceu, o ônus está sobre onde ele cresceu, foi criado, preparado e, infelizmente, foi mimado. Seus crimes hediondos exigem uma grave introspecção em vez de uma busca por causas estranhas.

O porta-voz ressaltou que Islamabad condena veementemente o abuso sexual infantil, que deve ser “punido em toda a extensão da lei, independentemente de raça, etnia ou religião”, mas insistiu que o Paquistão “não tem nenhuma conexão com esse assunto” e “não pode ser associado” a quaisquer decisões relacionadas.

Na segunda-feira, a secretária do Interior do Reino Unido, Shabana Mahmood, anunciou planos para alterar a Lei de Imigração para remover a barreira legal que impede a deportação de Ahmed.

A gangue de estupro de Rochdale foi uma das muitas gangues de grooming, predominantemente compostas por homens de origem paquistanesa, que sistematicamente estupraram e traficaram sexualmente jovens meninas britânicas vulneráveis em todo o Reino Unido ao longo de décadas.

O escândalo das gangues voltou aos holofotes da política britânica no ano passado, forçando o governo trabalhista a anunciar um inquérito nacional, que desenterrou “cegueira, ignorância, preconceito, defesa” e falhas sistemáticas da polícia e dos órgãos públicos para proteger as vítimas e agir sobre relatos de abuso. "

17/07/2026

Nem pomboca nem bomboca

 molotof


 

 

Pomboca

 a pomboca? ou o pomboco? acho que fica melhor pomboca.

A pomboca saiu de casa a dizer, eu hoje sou um falcão, ou melhor, uma falcoa.  Não são só elas, que podem ser, nós também podemos ser, desde que queiramos. 

Lá foi abanando o rabo penado direita ao covil do falcão. Se o falcão disser alguma coisa,  ela pomboca chama a polícia defensora dos animais transviados e acusará o falcão homofóbico do crime de ódio de género.

No reino dos verdadeiros animais as coisas são um pouco mais complicadas, do que no reino dos seus primos de duas patas imbuídos da ideologia 'woke'.

Vejamos, como o abanar o rabo terminou:

https://petapixel.com/2026/07/16/trail-cam-footage-shows-worlds-dumbest-pigeon-walking-into-falcons-nest/ 

 A câmara online:

 https://www.youtube.com/@FauconsP%C3%A8lerinsIllkirch/live

16/07/2026

Preparem-se!

porque isto de Liberdade é coisa que desagrada a quem manda e tem os dias contados.

Sim!, tem os dias contados. 

Se reparem bem, a esquerda já não fala nela, fala na inclusão, fala na igualdade, fala no género, ... eles já não querem ser livres, quem poder parir também, se biologicamente forem homens.

Assim, aqui fica o artigo de Luís Gomes no Página Um:

 https://www.paginaum.pt/2026/07/16/helder-rosalino-e-o-seu-panegirico-ao-euro-digital-no-eco

para o caso de o site ser bloqueado, confiscado, 'deletado', cancelado, sancionado, ... pelos mastins que servem o Poder, é mais uma cópia, na esperança de que, haja outras também e não possa ser apagada facilmente, a não ser com um apagão eléctrico provocado pelo excesso de energia fotovoltaica. 😀

" Hélder Rosalino e o seu panegírico ao euro digital no ECO

Luís Gomes

Hélder Rosalino serviu-nos um ditirambo ao euro digital no jornal ECO, onde a conclusão vem decidida: o Banco Central Europeu figura como a personificação do Bem, a soberania monetária como o grande desígnio e toda a inquietação com a liberdade individual, a privacidade ou a concentração de poder nas mãos de uma instituição monopolista é despachada como mera “preocupação intuitiva”.

A pessoa comum receia que uma moeda digital emitida por um Banco Central permita conhecer, registar, vigiar, condicionar e, no extremo, impedir as suas transacções. É intuitivo. Pergunta o que sucederá quando desaparecer o numerário e toda a sua vida económica ficar refém de uma infra-estrutura digital nas mãos de uma autoridade central. Intuitivo, também.

Recorda-se, talvez, de que há poucos anos os Estados que se diziam democráticos e limitados por constituições proibiram as pessoas de sair de casa, trabalhar, abrir os seus estabelecimentos, viajar ou entrar em certos lugares sem exibirem um certificado sanitário que assegurava a toma de uma inoculação experimental. Deve ser outra intuição.

text
Foto: Pilar Rubio

Racional, ao que parece, é entregar ainda mais poder a quem já detém o monopólio da moeda. O artigo anuncia que o euro digital “passou o primeiro teste político”. A Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou uma posição negocial favorável ao projecto e, segundo o autor, a grande questão já não é saber se a Europa deve adoptar uma moeda digital pública. Resta discutir em que termos há-de nascer.

Velha artimanha. Primeiro apresenta-se como inevitável aquilo que ainda não aconteceu. Depois declara-se ultrapassada a discussão sobre se deveria acontecer. Por fim, concede-se o privilégio de discutir os pormenores daquilo que outros já decidiram: pode apenas escolher a cor e a forma das algemas.

O argumento nuclear é o da “soberania monetária”. A Europa, explica-se, depende em excesso de empresas como a Visa, a Mastercard, a Apple ou a Google para os pagamentos digitais e enfrenta a concorrência crescente de stablecoins privadas em dólares norte-americanos, como a USDT, emitida pela Tether, e a USDC, emitida pela Circle. Segue-se a conclusão: precisamos de um euro digital emitido pelo Banco Central Europeu. Extraordinário!

woman's hand on face
Foto: Mehrpouya H

Se os europeus escolhem de livre vontade a Visa, a Mastercard, a Apple Pay, a Google Pay, a USDT ou a USDC, eis um problema de soberania. Mas se forem constrangidos a usar uma moeda monopolista, produzida por uma instituição supranacional que ninguém elegeu para tal fim e cuja política monetária lhes destrói as poupanças – o euro perdeu mais de 90% frente ao ouro desde a sua criação! – então temos “liberdade, autonomia e progresso institucional”. Dificilmente se encontrará melhor retrato da inversão moral do nosso tempo.

Uma empresa privada tem de convencer alguém a usar os seus serviços. A Visa não pode obrigar um português a trazer um cartão Visa na algibeira. A Mastercard não pode entrar-lhe pela casa dentro e confiscá-lo. A Apple não pode decretar que todo o comerciante aceite Apple Pay. A Circle não pode compelir ninguém a possuir USDC. A Tether não pode impor a USDT como unidade de conta.

Ao contrário, o Banco Central Europeu não precisa de convencer ninguém. O euro tem curso legal. Os impostos cobram-se em euros. As dívidas liquidam-se em euros. Os bancos vivem dentro de um sistema erguido em redor do euro. Os Estados pagam salários, pensões e fornecedores em euros; sobretudo, o BCE goza de um privilégio que nenhuma daquelas empresas possui: pode criar moeda sem produzir um único bem ou serviço que alguém tenha escolhido comprar-lhe. Mas o perigo, informam-nos, são as empresas privadas.

person using laptop computer holding card
Foto: rupixen

Chega então Hélder Rosalino à frase mais extraordinária do seu encómio ao euro digital: “Grande parte das críticas ao euro digital assenta em preocupações intuitivas, como o receio de vigilância, o risco para a banca ou a defesa do numerário.” O receio da vigilância é, portanto, uma preocupação intuitiva. Convém perguntar porquê.

Nada se sabe sobre em que bolso se encontra uma nota de cinquenta euros. Não se conhece o nome do comprador. Não se regista a hora da transacção. Não se sabe o que foi comprado. Não se denuncia a localização de ninguém. Não se pergunta ao Banco Central Europeu se pode circular. Não tem memória. Não guarda arquivo. Não pode ser desligada à distância. É um objecto.

Uma moeda digital emitida por um Banco Central é o seu contrário. Vive numa infra-estrutura electrónica, tem de ser registada, autenticada e transferida por sistemas informáticos. Deixa rasto; ainda que hoje se prometa determinado grau de privacidade, a questão essencial não está naquilo que os burocratas e banqueiros centrais juram fazer em 2026. Está naquilo que a infra-estrutura permitirá fazer em 2030, 2040 ou 2050.

A row of sand sculptures on a beach
Foto: MAHDI HAJIZADE

Porque o poder político muda. As leis mudam. Surgem “emergências”, terroristas que derrubam arranha-céus sem aviões, supostas pandemias, supostas alterações climáticas, “desinformação e extremismo”. Surge sempre, por singular coincidência, uma óptima razão para o Estado precisar de mais informação, mais controlo e mais uma pequena excepção à liberdade que na véspera jurara não tocar. A história do Estado moderno é a história de poderes ditos temporários que adquirem a curiosa vocação de se tornarem eternos.

Um dinheiro programável não é apenas dinheiro que pode ser vigiado. É dinheiro que pode ser condicionado. A arquitectura permite, em tese, restringir o seu uso em certos bens, limitar transacções, estabelecer prazos de validade, impor taxas distintas ou impedir a fuga para activos que o poder político considere inconvenientes. Podem jurar que nada disso acontecerá. O problema é outro: por que razão construir a máquina? Mas o artigo de Hélder Rosalino pede-nos confiança.

O euro digital, explica, será uma “versão digital” do numerário. Ora, surge aqui uma pequena dificuldade que o próprio autor confessa sem notar a contradição: haverá limites à quantidade de euros digitais que cada pessoa poderá possuir. Porquê? Para que as pessoas não retirem os depósitos dos bancos comerciais e os transfiram para moeda emitida pelo Banco Central.

background pattern
Foto: Ian Talmacs

Traduza-se para bom português: o Estado deseja criar uma moeda que afirma ser igual ao numerário, mas não consentirá que cada pessoa possua a quantidade que bem entenda porque, a consenti-lo, muita gente a preferiria aos depósitos bancários. Tal, revelaria um pequeno segredo, algo embaraçoso, do nosso sistema financeiro: o dinheiro que temos depositado no banco não está, propriamente, no banco.

Um depósito bancário é um crédito sobre uma instituição. O banco recebeu o dinheiro e serviu-se dele. Emprestou-o. Aplicou-o. Criou novos créditos. Se todos os depositantes quiserem, ao mesmo tempo, recuperar aquilo que julgam ser seu, o banco não terá como entregar. Chama-se a isto a prática de reservas fraccionárias.

O euro digital, sendo um passivo directo do Banco Central, seria diferente; é por ser que há-de ser limitado. Se fosse igual a uma nota de papel, não haveria razão para lhe impor um tecto. Ninguém proíbe um homem de guardar dez mil, cem mil ou um milhão de euros em notas no seu cofre de casa. Mas no admirável mundo novo do euro digital e de Hélder Rosalino haverá um limite.

pink pig coin bank on brown wooden table
Foto: Andre Taissin

O artigo tem isto por virtude. O limite existe, diz-se, “precisamente para evitar a desintermediação bancária”. A palavra “precisamente” empresta à arbitrariedade um ar de ciência. Convém dizer o que o eufemismo disfarça: o limite não protege a pessoa comum; protege os bancos das suas escolhas.

Imagine-se a mesma lógica aplicada a qualquer outro ramo do comércio. Os fregueses começam a abandonar uma cadeia de mercearias e preferem outra. O Estado intervém e fixa um limite mensal às compras na mercearia preferida, para evitar a fuga de clientes da menos eficiente. As pessoas compram automóveis em excesso de certa marca; o Governo limita as compras para proteger os outros fabricantes. Seria absurdo?! Na banca de Hélder Rosalino chama-se estabilidade financeira.

Eis uma das grandes ironias do texto. O autor pretende defender o euro digital como instrumento de “soberania e liberdade” perante grandes empresas privadas, mas acaba por confessar que o sistema terá de cercear a liberdade para proteger os bancos comerciais das escolhas livres.

man holding chain-link fence
Foto: Milad Fakurian

Quem é, afinal, o soberano? Não é o indivíduo. Disso podemos prescindir. Prossegue o artigo com uma defesa histórica dos Bancos Centrais que merece reparo. Diz-se que, no século XIX, muitos bancos privados resistiram à sua criação, receosos de que “comprometessem o sistema financeiro”, mas que sucedeu o contrário: os Bancos Centrais “estabilizaram” o sistema e permitiram uma expansão mais segura da intermediação financeira.

Versão enternecedora de Hélder Rosalino da história monetária. Os Bancos Centrais permitiram institucionalizar a expansão do crédito fiduciário, socializar as perdas do sistema bancário, criar um emprestador de última instância e eliminar os mecanismos de disciplina que limitavam a criação de moeda do nada. Um banco que sabe poder falir comporta-se de forma distinta daquele que sabe que, em caso de catástrofe, chegará o Banco Central com a sua mangueira de liquidez. Chama-se a isto risco moral.

Eis a estabilidade que os Bancos Centrais nos deram: a Grande Depressão, o fim de Bretton Woods, a inflação dos anos 70, a bolha tecnológica, a crise do subprime, a crise das dívidas soberanas e a inflação da suposta pandemia. Uma sucessão de incêndios apagados com mais gasolina, enquanto o corpo de bombeiros reclama louvores pela estabilidade do edifício!

a computer generated image of a hand with a thumb up
Foto: Igor Omilaev

Também seria curioso explicar aos europeus que sofreram a recente inflação – o Banco Central Europeu expandiu o seu balanço em 4 biliões de euros – que o sistema monetário é de uma estabilidade maravilhosa. Talvez não tenham dado por ela!

O BCE cria euros. Os euros novos entram na economia por certos canais e beneficiam primeiro quem os recebe, antes que os preços se ajustem. Quando chegam ao trabalhador, ao pensionista ou ao pequeno aforrador, os preços já subiram. Richard Cantillon explicou o fenómeno há cerca de trezentos anos. Ainda hoje parece revolucionário para alguns economistas e, aparentemente, também para Hélder Rosalino.

A criação de moeda não fabrica casas, automóveis, trigo, energia, máquinas, medicamentos ou sapatos. Se existirem cem bens e cem unidades de moeda e alguém criar mais cem unidades, não aparecem por encanto duzentos bens. O que mudou foi a distribuição do poder de compra. Quem recebe primeiro o dinheiro novo compra aos preços antigos. Quem o recebe por último enfrenta os preços novos. É uma transferência de riqueza.

Person holding multiple shopping bags in front of white wall
Foto: Iuliia Pilipeichenko

Quando um falsário imprime notas em casa e compra um automóvel, ninguém lhe chama exercício de soberania monetária. Chamamos-lhe crime. Se um Banco Central cria milhares de milhões de euros num teclado, compra activos e altera a distribuição da riqueza, chamamos-lhe política monetária. A diferença parece residir no tamanho do edifício onde está instalado o computador.

Insiste depois o artigo na “ameaça” das stablecoins privadas denominadas em dólares norte-americanos. A USDT e a USDC podem crescer, integrar sistemas de pagamento e aumentar a influência do dólar norte-americano. É possível. Qual o problema, mesmo? Se milhões de pessoas preferirem usar uma stablecoin em dólares norte-americanos, ouro, francos suíços, bitcoins ou conchas do Pacífico, com que autoridade moral há-de uma instituição política impedi-las?

Convém perguntar o que significa, afinal, esta palavra tão repetida: soberania. Tenho soberania sobre o meu dinheiro quando não preciso de licença de um terceiro para o entregar a quem bem entenda. É o que sucede com o numerário, que passa de mão em mão sem pedir licença. É o que sucede com o Bitcoin guardado numa carteira privada, sem intermediário, sem custodiante, sem senhor.

person holding fan of 100 us dollar bill
Foto: Igal Ness

Ora, se a soberania existe quando o indivíduo dispensa o consentimento alheio e desaparece quando um funcionário de Frankfurt pode registar, travar ou impedir uma transacção, cabe perguntar: soberania para quem?

A palavra “soberania” serve aqui para esconder a única soberania que incomoda o Estado: a soberania do indivíduo sobre a sua propriedade. A soberania monetária do Estado significa que o Estado escolhe a moeda. A liberdade monetária significa que cada pessoa escolhe a sua. São conceitos opostos.

Se o euro for “boa” moeda, os europeus usá-lo-ão. Se o euro digital oferecer privacidade, segurança, eficiência e custos baixos, as pessoas escolhê-lo-ão. Se não conseguir competir com a USDT, a USDC, o Bitcoin ou outra forma de dinheiro, talvez o problema não esteja nas pessoas. Talvez esteja no produto. Mas os monopolistas nunca apreciaram a concorrência. Preferem chamar-lhe ameaça sistémica, risco geopolítico ou perda de soberania. Fica melhor.

white and brown labeled box
Foto:Joshua Hoehn

Hélder Rosalino termina o texto com uma frase grandiloquente: “Moedas fortes não são apenas unidades de conta. São também arquitecturas institucionais cuidadosamente construídas.” É verdade, mas falta perguntar: construídas por quem, para benefício de quem e com que direito?

Durante milénios, o ouro e a prata tornaram-se dinheiro sem Comissão Europeia, sem regulamento, sem Banco Central e sem Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu. Ninguém se reuniu numa sala em Bruxelas para decretar que o ouro serviria de reserva de valor. Nasceu do mercado porque milhões de homens, ao longo de gerações e milénios, nele reconheceram escassez, durabilidade, divisibilidade, fungibilidade e dificuldade de produção. O dinheiro nasceu no mercado.

No entanto, o Estado apropriou-se dele. Primeiro cunhou as moedas. Depois reduziu-lhes o teor metálico. Depois emitiu papel convertível em ouro. Depois suspendeu, a título provisório, a convertibilidade. O provisório fez-se permanente. Por fim, ficou o papel sem ouro e o monopólio dos Bancos Centrais sobre a criação de moeda. Agora querem eliminar também o papel. Hélder Rosalino pede-nos que não tenhamos preocupações intuitivas.

burned 100 US dollar banknotes
Foto: Jp Valery

Talvez o maior perigo do euro digital não esteja naquilo que os seus defensores escondem. Está naquilo que dizem em público sem se aperceberem da enormidade do que dizem. Dizem-nos que o Estado deve controlar a infra-estrutura monetária. Dizem-nos que a quantidade de dinheiro digital que podemos possuir deve ser limitada para proteger os bancos. Dizem-nos que a concorrência de moedas privadas ameaça a soberania. Dizem-nos que o receio da vigilância é uma objecção incompleta. Dizem-nos que a história demonstra as “virtudes” dos Bancos Centrais. Ainda dizem tudo isto em nome da “liberdade, da estabilidade e da autonomia”. George Orwell, no seu 1984, teria apreciado o esforço.

O euro digital não é apenas uma nova forma de pagamento. É a construção de uma infra-estrutura que torna possível um grau de controlo monetário que nenhum soberano da história alguma vez possuiu. Luís XIV podia cobrar impostos, cunhar moeda, desvalorizá-la e mandar homens para a Bastilha. Mas não podia saber, em tempo real, onde cada súbdito gastava cada moeda, nem impedir no mesmo instante uma compra a centenas de quilómetros de distância. O BCE poderá ter essa capacidade.

Podem jurar que não a usarão. Podem escrever salvaguardas. Podem redigir regulamentos. Podem prometer respeito pela privacidade. Fica sempre uma pergunta: por que razão haveríamos de forjar uma arma e entregá-la a uma instituição monopolista, na esperança de que todos os seus futuros dirigentes, em todas as futuras crises, sob todos os futuros governos, resistam para sempre à tentação de a empunhar?

Foto: Rohan Makhecha

Hélder Rosalino termina perguntando se a Europa pretende construir a sua própria arquitectura monetária ou depender daquela que outros construíram. Há uma terceira possibilidade, tão perigosa que quase nunca a menciona: deixar as pessoas escolher.

Deixar que cada pessoa decida se quer euros, dólares norte-americanos, ouro, Bitcoin, USDT, USDC ou qualquer outra forma de dinheiro que outrem aceite de livre vontade numa transacção. Sem curso legal obrigatório. Sem monopólio. Sem Banco Central. Sem um funcionário em Frankfurt a decidir a taxa de juro para milhões e milhões de almas. Sem Christine Lagarde a explicar-nos que a inflação está “quase” dominada enquanto o nosso dinheiro compra cada vez menos. Isso seria soberania. É por isso que nunca se ouvirá um banqueiro central ou Hélder Rosalino a defendê-la.

Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário "

13/07/2026

Confundir a árvore

com a Floresta.

Li, e senti o asco do costume com esta gente: 

https://folhanacional.pt/2026/07/10/gnr-identificou-47-pessoas-no-geres-durante-situacao-de-alerta/

mas passei à frente. Tenho mais que fazer, que preocupar-me com ervinhas e mastins sem trela. 

Só que à segunda vez, já não passei adiante: 

https://www.tempo.pt/noticias/actualidade/lisboa-fechou-refugios-do-calor-em-plena-onda-de-calor-como-se-explica-este-paradoxo.html 

De um tempo em que eu lia jornais, alguém que sabe do que fala, escreveu isto:

https://www.publico.pt/2003/09/15/jornal/viriato-era-pastor-nao-era-lenhador-205360 

No primeiro link supra, a presença de gente deveria ser incentivada e não combatida. O pior cego é o que não quer ver. Foi a despovoação que contribuiu em parte para o estado actual do matagal. Claro que hoje já ninguém apanha erva para a cama do gado, nem para outras aplicações. Todos têm botija de gás, télélé, se a operador reparar a torre ardida, todos andam de carro, já ninguém tem macho, nem burro, a não ser os que elegem alegremente como"seu" (acham eles que é seu, e não do partido em que votam na lista) representante. A actuação repressiva percebe-se, se a virmos pelo prisma do SIADAP. Indicadores de desempenho, quantas mais multas, mais "eficiência". 😀

No segundo link, é a confusão habitual com gente citadina, olham para a árvore e veem a Floresta. Também se percebe, se tivermos em conta que esta miudagem nunca viu uma Floresta, floresta essa que não existe em Portugal, e para agravar, acha que, parindo "leis", o problema se resolve. 

Por fim mas não por último o votante, que  acha que a sua cor é a melhor.

As cabras de que fala Henrique Pereira dos Santos no artigo do Público, existem aos montes, os queijos feitos com o leite delas, é que não. 

11/07/2026

País amnésico?

pior, País Ignorante!

Não é de admirar, já lá vão 50 anos. 

Os que nasceram em 1976, 😁, têm essa idade, os que em 1976 tinham 20 anos, têm agora 70.

Os factos passaram-se dois anos antes, em 1974. 

Socorro-me do que escreveu Otelo Saraiva de Carvalho no livro "O dia inicial - 25 de Abril Hora a Hora" , 1ª Edição, Março de 2011, Editado pela Editora Objectiva.

Diz ele:



transcrevo:

" 22:45

Pouco antes da emissão do primeiro sinal, chegam ao  Posto de Comando mais notícias de uma missão falhada.

(...) O capitão Homero Figueira apareceu no Posto de Comando cheio de maus presságios. a comunicar que falhara o seu contacto com o major Gomes da Silva do Regimento de Cavalaria 8 [RC8], de Castelo Branco, e que não tinha garantia alguma de que o Batalhão de Caçadores 6 [BC6] - onde lhe parecia que o nosso homem, capitão Freixo, podia ser abafado pelo volumoso major Ferreira Dias - arrancasse para o cumprimento da missão.

- Vês, era o que eu te dizia! Não se chegou a fazer o levantamento psicológico do pessoal em todo o país! Vais ver que ainda vão aparecer mais casos de malta a borregar.

Para o "animar" disse-lhe do RI 1.

- Tás a ver? Ainda hão-de ser mais! - agourava ele, pessimista.

- É preciso é que não sejam todos ripostei para lhe levantar o moral. "

Quando passados 52 anos, olho para o que foi o espaço ocupado pelo Regimento de Cavalaria 8 (RC8) e vejo isto:

"Praça 25 de Abril"  by _morgado is licensed under CC BY 4.0

Tenho forçadamente que concluir, que os autores da cacada ainda não eram nascidos e que, são pouco dados ao conhecimento da História. 

Aqui onde foi a parada do RC8, ergue-se agora este pedaço de granito, erguido por socialistas de pacotilha.

Se queriam homenagear, deveriam ter escrito 24 de Abril. 

Porque quem cala, consente, os que ficaram nas covas, abstendo-se, não saindo, podem ser homenageados por estes "socialistas", não podem é ser branqueados, já que não saíram para acabar com "o estado a  que chegámos", palavras de Salgueiro Maia na madrugada de 25 de Abril na Escola Prática de Cavalaria (EPC):

https://aopedaraia.blogspot.com/2017/04/palavras-do-capitao-salgueiro-maia.html 

Pior! 

A cereja no topo da pirâmide.

Onde é que eles viram estes personagens aqui em 1974?

 "pintura mural" by _morgado is licensed under CC BY 4.0

Arte, dirão alguns. 

Quanto é que custou este reescrever da História, pergunto eu.

Quem realiza manifestações templárias agora, ainda se percebe, homenageia o volumoso major, armado pouco depois do 25 de Abril Cavaleiro Templário.