29/04/2026

Antes tarde

que nunca. 

Mas a Ordem teve que vir do Alto. Mas só veio, depois de ter caído nas bocas-do-mundo. Como isso afectava a imagem impoluta do morcão, que ocupa a cadeira do Poder no Palacete de São Bento em Lisboa, a reacção foi célere, não tivesse havido badalo, que o 'business as usual' tinha continuado a medrar, sem que ninguém no terreno, tivesse dito alto e em bom som: 

- Isto não pode ser! 

- Não me pagam para eu dar cobertura a estas tarefas! 

- ... !

Da minha parte tenha a declarar que: o dinheiro que já dei para apoiar este site, está a ser bem empregue:

https://www.paginaum.pt/2026/04/29/venda-agressiva-de-cursos-ministerio-da-educacao-ordena-suspensao 

" Venda ‘agressiva’ de cursos: Ministério da Educação ordena suspensão de projectos pseudo-pedagógicos

Elisabete Tavares e Pedro Almeida Vieira


A Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE), tutelada pelo Ministério da Educação, enviou hoje uma circular urgente para as escolas de todo o país a ordenar a suspensão imediata de qualquer actividade associada à Associação Internacional Lusófona para a Educação (AILE), após ter concluído que não existe qualquer autorização para a sua actuação em contexto escolar com fins comerciais.

A decisão surge na sequência directa das investigações do PÁGINA UM que expuseram um esquema de recolha de dados e venda agressiva de cursos dentro de estabelecimentos de ensino públicos.

No documento, assinado pelo presidente da AGSE, Raúl Capaz Coelho, é inequívoco o desmentido da narrativa que vinha sendo usada pela própria AILE junto de direcções escolares, professores e encarregados de educação: não só a alegada entidade sem fins lucrativos — mas que usava recursos e meios da empresa Advance Station — é desconhecida da tutela, como nunca teve qualquer validação formal para operar nas escolas nos moldes em que o vinha fazendo.

A circular esclarece ainda que, embora determinados inquéritos tenham sido aprovados pela Direcção-Geral da Educação (DGE), tal autorização era estritamente limitada a fins de investigação e não abrangia qualquer contacto posterior com pais, muito menos com objectivos comerciais por via de uma empresa.

A decisão de travar de imediato estas actividades ocorre depois de o PÁGINA UM ter revelado, na passada sexta-feira, com base em testemunhos e documentação recolhida em várias escolas, que a AILE, que nem sequer possui estatutos públicos nem (aparentemente) número de identificação fiscal, funcionava como porta de entrada para estruturas empresariais ligadas à Advance Station, que utilizavam o espaço escolar aos fins-de-semana para captar clientes e vender cursos de formação sob forte pressão psicológica.

O inquérito da AILE que tem servido para levar pais a comprarem cursos da Act Academy sob pressão, em reuniões realizadas nas instalações de escolas públicas.

Como salientado pelo PÁGINA UM, o processo começava com a aplicação de questionários em sala de aula, apresentados como instrumentos pedagógicos ou científicos, que permitiam recolher dados pessoais de alunos e famílias.

A AILE apresentava-se sempre, conforme se observa em documentos de agrupamentos escolares, como uma entidade “sem fins lucrativos dedicada ao combate ao abandono e insucesso escolar”, que pretendia desenvolver um projecto educativo “devidamente autorizado e validado pelo Ministério da Educação/DGEstE, para implementação em contexto escolar”.

Posteriormente, os encarregados de educação eram convocados para sessões realizadas nas próprias escolas — muitas vezes ao fim-de-semana — onde eram abordados por representantes de entidades comerciais e incentivados a adquirir cursos online com custos mensais elevados, através de técnicas de marketing agressivo e decisões tomadas sob pressão.

Panfleto com venda de um curso apresentado aos pais que preencheram o inquérito da AILE distribuído nas escolas públicas.

A circular agora emitida pela AGSE, depois de uma solicitação expressa do ministro Fernando Alexandre, confirma a substância da investigação do PÁGINA UM, porque a aprovação inicial dos inquéritos terá sido revogada após se ter verificado que não estavam a cumprir os fins declarados. O Ministério da Educação — que até agora se mantivera em silêncio — terá agora ordenado também a intervenção da Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC).

Em todo o caso, existe agora uma orientação inequívoca para os directores escolares cessarem qualquer colaboração com a AILE até completo esclarecimento da situação. Aliás, o PÁGINA UM já apurara esta manhã que pelo menos um agrupamento escolar de Lisboa — o Gil Vicente — já se antecipara à orientação ministerial, comunicando à AILE a suspensão das actividades previstas após um questionário que se realizara na semana passada.

Esta decisão do Ministério da Educação acaba também por relembrar que cabe às direcções das escolas a responsabilidade directa pela utilização das instalações escolares por entidades externas, mas que esta não pode servir para promoção comercial nem para práticas que coloquem em causa a protecção de dados e os direitos dos alunos e das suas famílias.

Fernando Alexandre, ministro da Educação: reacção á investigação surge cinco dias depois da investigação do PÁGINA UM. Foto: D.R.

Este caso de elevada gravidade — são dezenas as reclamações no Portal da Queixa e no site da DECO, que se acumulam há anos, embora com maior frequência nos últimos meses — levanta questões mais profundas sobre o controlo de quem entra nas escolas públicas e sobre os mecanismos de validação de projectos apresentados como educativos.

Como ficou demonstrado, a AILE apresentava-se como uma associação sem fins lucrativos, que dizia estar “devidamente autorizada” pelo Ministério da Educação, e aparentemente esse argumento foi aceite por diversas escolas sem qualquer verificação e supervisão, facilitando a disseminação a nível nacional de práticas comerciais ilegais.

A aparência institucional sem verificação permitiu assim legitimar um modelo de actuação em que a AILE, uma entidade opaca — sem informação pública sobre órgãos sociais, contas ou actividade —, funcionava como intermediária de interesses comerciais de uma empresa (Advance Station).

O alegado presidente da AILE assume-se como sócio-fundador da Advance Station, que tem várias marcas ou empresas que foi usando e fundindo ao longo dos anos.

Aliás, o proprietário desta empresa, João Carlos Oliveira Dias, apresenta-se como alegado presidente da AILE. E alguns dos nomes que constavam em questionários da AILE como investigadores são, na realidade, funcionários da Advance Station.

A intervenção da AGSE, ainda que tardia, representa assim o primeiro reconhecimento oficial de que algo falhou no sistema de controlo nos espaços escolares. Resta agora perceber até que ponto essa falha foi apenas operacional — por ausência de fiscalização — ou estrutural, permitindo que ainda mais entidades externas utilizem a marca implícita do Estado para legitimar práticas incompatíveis com um sistema educativo decente.

Partilhe esta notícia nas redes sociais. "

É isso que eu estou a fazer 😀 

27/04/2026

Diz-me com quem andas ...

 não é hoje, só que, uma geração criada em aviário, sem pai, nem mãe por perto, a não ser de fugida ao fim do dia. Pela manhã, um deles apressado, para se ver livre do estorvo, esta geração passou o resto do dia entregue aos cuidados do Sistema. 

Se aprendemos muito por imitação, os exemplos deixam a desejar e os resultados estão aí.

Toda uma Máfia europeia (esquerda de pacotilha) bateu palmas, porque Viktor Orbán foi derrotado na Hungria.

No dia seguinte receberam a paga. 

Aumentou 90 000 000 000 € a colossal dívida conjunta da UE, vamos despejar todos, mais dinheiro do nosso bolso, nos corruptos ucranianos. Se pensam que esta dívida não é vossa, esperem pelo cobrador de fraque.

E a cereja no topo do bolo, todas as paineleiras bateram palmas, brevemente podem ir à Hungria desfilar sem máscara na Marcha do Orgulho GAY, que passa a ser permitida.

Mas tem mais, para que não se perca nenhuma criancinha, que seja entregue aos cuidados do Sistema, o ministro da educação, vai ser:

 https://swentr.site/news/639102-hungarian-first-lgbtq-activist-education/

 "De acordo com a mídia local , o futuro primeiro-ministro húngaro, Peter Magyar, nomeou o "primeiro ativista LGBT" do país para o cargo de ministro da Educação.

O líder do Partido Tisza, que derrotou o Fidesz de Viktor Orbán no início deste mês, apresentou os nomes de 12 ministros do seu gabinete numa publicação no Facebook na sexta-feira, enquanto se prepara para formar um novo governo.

Judit Lannert foi nomeada ministra da Educação e Assuntos da Infância, apesar das expectativas de que Rita Rubovszky, diretora de uma escola católica cisterciense, assumisse o cargo. Lannert é conhecida por suas críticas ao governo anterior, tendo inclusive sido noticiado o uso de cores com temática LGBTQ+ em suas redes sociais durante debates sobre emendas constitucionais sob o governo Orbán.

 ..." (tradução automática)

O que é que pode correr mal? 

 

fonte da photo: https://www.thelibertybeacon.com/incoming-hungarian-education-minister-under-fire-for-lgbtq-activism/

 

 

26/04/2026

Aliviado

 26 Abril 2026

Foi com apreensão que toquei na "tecla" (isto agora já não é um interruptor físico) para iniciar a chamada. 

Ao quarto ou quinto toque a Jú atende. Parte da apreensão foi-se. 

Hoje é o dia do aniversário dela. Mas só quando ela me diz que, o João já teve alta e que está ali ao lado dela, é que a apreensão se foi. 

Temi. Pensei. Cismei. 

Quando não temos muitos dados, elaboramos as conjecturas com os que temos. Ser pessimista, é ser um optimismo bem informado. O planeamento deve ser sempre para o pior cenário.

O internamento foi, mais do que, o inicialmente anunciado. 

Fiquei feliz em ouvir a sua voz e sentir que ele estava animado.

 

25/04/2026

Escolas

ONG's, o albergue espanhol onde toda a prostituta tem espaço para o seu negócio.

Está no estatuto profissional, colaborarem com estas actividades?

Quem cala, sempre consente.

Onde é que estão as Maria Pena, para impedirem  este mercadejar, como impedem os símbolos com ligação à religião cristã? Não estão, no catecismo dos acordados (wokismo) à Soros, não está a venda de gato por lebre, se estivesse, a cultura depravada não era incentiva e protegida em nome de tretas como, se o macho quiser, pode engravidar e parir, basta querer. 

Corja!!!!!!!!!!!!! 

 https://www.paginaum.pt/2026/04/24/associacao-sem-fins-lucrativos-e-fachada-para-vendas-agressivas

 Uma alegada associação sem fins lucrativos está a servir, com a bênção do Ministério da Educação, como porta de entrada de uma empresa para vender um curso de desenvolvimento individual com recurso a técnicas de persuasão ilegal em plenas escolas públicas. Já existem várias reclamações de encarregados de educação no Portal da Queixa e na Deco sem que o Ministério de Fernando Alexandre reaja para travar um aparente esquema de burla que se desenvolve com dezenas de vítimas dentro das paredes das escolas.

... 

24/04/2026

Superfecundação ...

https://rtbrasil.info/noticias/35593-dois-gemeos-dois-pais-caso/ 

Um caso de teste de paternidade na Colômbia virou uma sensação: uma mulher que deu à luz filhos gémeos engravidou de dois homens diferentes ao mesmo tempo, segundo relatou a imprensa colombiana, na quarta-feira (22). 

As crianças nasceram em 2016; dois anos depois a mãe decidiu confirmar a paternidade dos filhos por meio de um pedido de rotina no Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional.

O resultado surpreendeu os cientistas: uma metade de perfil genético de cada gémeo coincidiu com a mãe, enquanto só um dos gémeos compartilhou as celas da DNA com o pai. A prova foi repetida e o resultado foi confirmado. 

Pesquisadores explicaram que o fenómeno se chama de "superfecundação heteropaternal". Significa que uma mulher libera dois óvulos no mesmo ciclo menstrual, e estes são fecundados por homens diferentes em relações sexuais distintas.

O caso indica que a mulher manteve relações sexuais com dois homens diferentes em um curto espaço de tempo. 

Comportamentos

 24 Abril 2026

https://petapixel.com/2026/04/23/20-spectacular-giraffe-photos-from-remembering-wildlife-competition/ 

23/04/2026

Em vias de extinção

 23 Abril 2024

https://swentr.site/news/638957-eu-migrant-population-grow/ 

"O número de imigrantes na União Europeia atingiu um recorde de 64,2 milhões em 2025, mostra um estudo do Centro de Pesquisa e Análise sobre Migração (RFBerlin), com sede em Berlim, citando dados do Eurostat e da ONU. Deste total, cerca de 46,7 milhões nasceram fora da UE.

O total aumentou em mais de 2 milhões em relação ao ano anterior e de cerca de 40 milhões em 2010.

...  " 

É preciso acordar. 

22/04/2026

Positivo - Negativo

22 Abril 2026 

 Positivo:

https://folhanacional.pt/2026/04/22/professores-portugueses-destacam-se-em-estudo-da-ocde-por-terem-mais-conhecimentos-pedagogicos/ 

" Os professores portugueses são os que têm mais conhecimentos pedagógicos, segundo um estudo da OCDE, o que lhes permite lidar melhor com os desafios da sala de aula e fazer com que os alunos aprendam melhor.

..." 

Negativo:

 https://folhanacional.pt/2026/04/22/um-em-cada-tres-bebes-nasce-de-maes-estrangeiras/

Caminhamos a passos largos para o genocídio, a palavra está na moda, por que não usá-la?, dos indígenas portugueses.

14/04/2026

Japão

14 Abril 2026 

"Tokyo Streetscape" by Dale Cruse is licensed under CCBY 2.0


Comboios, linhas ferroviárias, urbanismo, rodovias, carros, púbico, privado, governos, política, economia, preços ... é do que trata o artigo. 

https://www.worksinprogress.news/p/the-secret-behind-japans-railways 

"Os Segredos do Shinkansen.

 Por que as empresas ferroviárias japonesas são donas de hospitais, equipas de basebal e casas de repouso?"

Uma parte que achei interessante é esta que transcrevo:

"... O Japão é um dos poucos países que privatizou o estacionamento [é recomendado abrir este link e pensar se isto era possível cá]. Na Europa e na América do Norte, grandes quantidades de vagas de estacionamento são de domínio público: os municípios são proprietários das ruas e permitem que as pessoas estacionem nelas a baixo custo ou gratuitamente. Inicialmente, com a intenção de incentivar a oferta de mais vagas de estacionamento, o Japão tornou ilegal estacionar em vias públicas ou calçadas sem autorização especial. Antes de comprar um carro, é preciso comprovar que se possui uma vaga reservada para estacionamento noturno em terreno privado, seja próprio ou alugado. ..."

 


11/04/2026

Momento musical

 11 Abril 2026


 

 

Artemis II

 Quase 1 milhão em todo o mundo estivemos no YouTube a assistir à reentrada da cápsula espacial e à sua amaragem no Pacífico. 

Programada para acontecer 11 ABR 2026 às 00:07 UTC.

A retirada dos astronautas do seu interior, é um processo lento, levará cerca de 2 horas para os retirar e transportar até ao navio de apoio.

https://www.cbsnews.com/live-updates/artemis-ii-splashdown-return/ 

06/04/2026

Preocupado

Vivemos na fio da navalha.

Em Novembro passado, na estadia que fiz a Norte, almocei com a Jú e o João e fiquei a saber que o João tinha um problema oncológico. Fiquei preocupado, o conhecimento pessoal envolve-nos emocionalmente.

Foi operado dia 26 de Março e o prognóstico eram 5 dias de internamento.

Enviei à Jú um sms no dia da operação (26), a dizer-lhe que estavam ambos no meu pensamento e que ligaria para falarmos no dia seguinte. Ela respondeu que o João ainda estava na operação.

Liguei no dia seguinte à tarde (27), mas ela não atendeu. Pensei que estaria na visita e que não era hora para eu estar a importunar. Enviei-lhe um sms a dizer que eles continuavam no meu pensamento, que ela devia estar cansada, preocupada, não deveria ter dormido e que, me desse um toque depois, que eu ligava para falarmos. Não me ligou.

Deixei passar 10 dias e no Domingo, 05 de Abril, liguei às 15:00 e ela não atendeu. Pensei mais uma vez que era hora de visita. Repeti a ligação às 8 da noite e ao terceiro toque, ela desligou a chamada.

Tenho que inferir que as coisas não estão a correr bem, que ela está destroçada e que não quer falar.

Gostava de que todos estes meus pensamentos, estivessem errados.

A Jú faz anos a 26 de Abril.

----------------------------------------------


05/04/2026

Diário de bordo

05 Abril 2026 

duas pegas-rabudas, um casal à moda antiga ou um casal ao jeito da "esquerda" actual? gostam muito nestes dias de sossego, de irem à escola

"pega-rabuda" by _morgado is licensed under CC BY 4.0


"gato" by _morgado is licensed under CC BY 4.0


"gato" by _morgado is licensed under CC BY 4.0


02/04/2026

É a sina dos pobres

 seguirem as pisadas dos ricos.

Haveremos de os copiar.  Até lá, alegremente defenderemos que o Rei está espectacular nos seus trajes, ... continuaremos de boca aberta, até que a criança diga a rir, que o Rei vai nu.

O Magalhães do Sócrates e outras maneiras de ganhar dinheiro sem trabalhar, sistemas desmaterializados para a administração pública, que salvarão o "planeta" não do CO2, que esse passou de moda, mas do metano expelido pelas vacas, fornecidos pela empresa do filho da mulher do ministro, ...

 https://undark.org/2026/04/01/sweden-schools-books/

Em 2023, o governo sueco anunciou que as escolas do país voltariam ao básico , enfatizando habilidades como leitura e escrita, principalmente nas séries iniciais. Depois de terem sido praticamente deixados de lado, os livros físicos estão sendo reintroduzidos nas salas de aula, e os alunos estão aprendendo a escrever da maneira tradicional: à mão, com lápis ou caneta, em folhas de papel. O governo sueco também planeia tornar as escolas livres de celulares em todo o país.

As autoridades educacionais têm investido fortemente. Só no ano passado, o Ministério da Educação destinou 83 milhões de dólares para a compra de livros didácticos e guias para professores. Num país com cerca de 11 milhões de habitantes, o objectivo é que cada aluno tenha um livro didáctico físico para cada disciplina. O governo também investiu 54 milhões de dólares na compra de livros de ficção e não ficção para os alunos.

Essas mudanças representam uma transformação drástica em relação às décadas anteriores , durante as quais a Suécia — e muitas outras nações — abandonaram os livros físicos em favor de tablets e recursos digitais, em um esforço para preparar os alunos para a vida em um mundo online. Talvez não seja surpreendente que os esforços do país nórdico tenham gerado um debate sobre o papel da tecnologia digital na educação, um debate que se estende muito além das fronteiras do país. Pais nos EUA, em distritos que adoptaram a tecnologia digital em larga escala, podem estar se perguntando se os educadores também irão reverter essa tendência.

Então, por que a Suécia mudou de rumo? Em um e-mail para o Undark, Linda Fälth, pesquisadora em formação de professores na Universidade Linnaeus, escreveu que a “decisão de reinvestir em livros didácticos físicos e reduzir a ênfase em dispositivos digitais” foi motivada por diversos factores, incluindo questionamentos sobre se a digitalização das salas de aula havia sido baseada em evidências. “Houve também uma reavaliação cultural mais ampla”, escreveu Fälth. “A Suécia havia se posicionado como pioneira na educação digital, mas, com o tempo, surgiram preocupações sobre o tempo gasto em frente às telas, a distracção, a redução da leitura aprofundada e a erosão de habilidades fundamentais, como atenção sustentada e caligrafia.”

Fälth observou que os defensores da reforma acreditam que “as habilidades básicas — especialmente leitura, escrita e matemática — devem ser firmemente estabelecidas primeiro, e que os livros didácticos físicos são frequentemente mais adequados para esse propósito”.

Num país com cerca de 11 milhões de habitantes, o objectivo é que cada aluno tenha um livro didáctico físico para cada disciplina.

Entre 2000 e 2012, as notas dos estudantes suecos em testes padronizados declinaram constantemente em leitura, matemática e ciências. Embora tenham recuperado terreno entre 2012 e 2018, essas notas voltaram a cair em 2022.

Embora não esteja claro exactamente quanto do declínio se deve à digitalização, há algumas evidências de que materiais didácticos analógicos para leitura podem ser superiores ao aprendizado por meio de telas. No entanto, isso se aplica a textos expositivos, em oposição a textos narrativos. Textos narrativos contam uma história , seja ela ficção ou não ficção, enquanto textos expositivos são elaborados para informar, descrever ou explicar um tópico de maneira lógica e factual.

Autoridades suecas enfatizam que a tecnologia digital não está sendo completamente removida das escolas. Em vez disso, os recursos digitais “devem ser introduzidos no ensino apenas em uma idade em que incentivem, e não dificultem, a aprendizagem dos alunos”. Alcançar a competência digital continua sendo um objectivo importante, principalmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
 

Historicamente, a indústria da tecnologia tem impulsionado o uso da aprendizagem digital, considerando-se uma transformadora da educação. Na década de 1980, a Apple ajudou a popularizar o uso de computadores nas escolas. Em seguida, com o advento da internet e, posteriormente, com a integração de dispositivos móveis, a tecnologia remodelou o cenário educacional. Especialistas em educação sugerem que ela pode promover uma experiência de aprendizagem mais interactiva, acessível e personalizada às necessidades de cada aluno.

Nos Estados Unidos, a tendência nacional dos últimos anos tem sido o uso de métodos cada vez mais sofisticados de aprendizagem digital, como fornecer laptops ou dispositivos como o iPad para as crianças. De acordo com uma pesquisa realizada pelo EdWeek Research Center , parte da publicação especializada Education Week, 90% dos directores de distritos escolares forneciam dispositivos para todos os alunos do ensino fundamental II e médio em Março de 2021. Mais de 80% dos directores de distritos escolares afirmaram que o mesmo se aplicava aos alunos do ensino fundamental I.

E agora, gigantes da tecnologia como Google, Microsoft e OpenAI estão incentivando as escolas a ensinarem alfabetização em inteligência artificial. Alguns profissionais da educação acreditam que as escolas devem preparar os alunos para empregadores que esperam fluência digital. Isso pode ser realmente pertinente na era da IA. Mais de 50% dos adolescentes nos Estados Unidos já usaram chatbots de IA para tarefas escolares, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center.

De acordo com uma pesquisa de 2023, 30% dos educadores afirmaram que seus alunos passam pelo menos metade do tempo de leitura em sala de aula fazendo isso digitalmente. Mas isso pode ter desvantagens. Pesquisadores sugerem que ler em telas digitais em vez de papel pode ser mais exigente mentalmente, especialmente para alunos mais jovens. Estudos têm associado o uso excessivo de dispositivos digitais à redução da compreensão e da retenção de memória, bem como ao cansaço visual .

As limitações da tecnologia educacional tornaram-se evidentes durante a pandemia de Covid-19. Quando o ensino online se tornou a norma, especialistas começaram a questionar se as promessas da tecnologia haviam se concretizado. Em uma publicação no LinkedIn, Pam Kastner, consultora de alfabetização e professora adjunta da Mount Saint Joseph University, sugere : “A tecnologia é uma ferramenta, não uma professora”. Ela considera que a arquitetura cognitiva da leitura foi construída para a leitura em formato impresso.
 

Os recursos digitais “só devem ser introduzidos no ensino em uma idade em que incentivem, em vez de dificultarem, a aprendizagem dos alunos”.

Jonathan Haidt, um crítico conhecido do uso de smartphones e redes sociais por crianças, publicou em Fevereiro: "Colocar computadores e tablets nas carteiras dos alunos do ensino fundamental e médio pode se revelar um dos erros mais custosos da história da educação".

Os Estados Unidos gastaram US$ 30 bilhões em 2024 em laptops, tablets e outras tecnologias educacionais, dez vezes mais do que em livros didácticos. O neuro-cientista e educador Jared Cooney Horvath lamentou o uso excessivo de dispositivos digitais na educação. Ele afirmou que a Geração Z, composta por pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2012 e conhecidas por crescerem com a tecnologia digital como parte integrante de suas vidas, é a primeira geração na história moderna a apresentar pontuações mais baixas em testes cognitivos do que a geração anterior. Em Janeiro deste ano, ele declarou a uma comissão do Senado que isso resultou em uma geração de crianças com menor capacidade cognitiva do que seus pais.
 

Resta saber se os EUA seguirão o caminho da Suécia. Naomi Baron, professora emérita de linguística da American University, disse ao Undark que não vê os EUA recorrendo à Suécia em busca de conselhos. Isso se deve, em parte, a incentivos financeiros: “Primeiro, as editoras de livros didácticos comerciais têm promovido materiais digitais — principalmente por razões financeiras, geralmente ignorando as pesquisas que comparam a compreensão, etc., entre a leitura impressa e a digital”. Baron também escreveu que “os próprios educadores americanos geralmente desconhecem a vasta literatura de pesquisa existente sobre o assunto e, em vez disso, concentram-se em economizar dinheiro para seus alunos (ou distritos escolares)”. Ainda assim, alguns educadores americanos parecem estar cientes de que a tecnologia digital pode estar piorando a educação. Os professores parecem especialmente preocupados com os possíveis efeitos prejudiciais do uso excessivo de IA.

Ao mesmo tempo, alguns pais americanos começaram recentemente a formar redes , ensinando uns aos outros como optar por não usar laptops e dispositivos fornecidos pela escola e voltar a usar livros didácticos físicos, juntamente com caneta e papel. Os pais apontam para evidências que mostram melhor retenção de informações quando os alunos lêem no papel. Essa reacção pode reflectir uma crescente rejeição à tecnologia digital na educação, impulsionada por preocupações com o possível tempo excessivo em frente às telas e os potenciais danos aos jovens, incluindo possíveis distracções viciantes .

Se os líderes educacionais dos EUA consultassem seus colegas suecos, o conselho que provavelmente receberiam seria para não eliminar completamente a tecnologia digital. "O objectivo é a recalibração, e não a reversão", escreveu Fälth. Essa opinião foi reiterada em uma declaração enviada ao Undark pelo Ministério da Educação e Pesquisa da Suécia: "O governo sueco acredita que a digitalização é fundamentalmente importante e benéfica, mas o uso de ferramentas digitais nas escolas deve ser feito com cuidado e ponderação."

Em outras palavras, o objectivo não é rejeitar a digitalização. É mais complexo do que isso. A meta é estabelecer limites criteriosos para o uso selectivo e sequencial da tecnologia ao longo das etapas do desenvolvimento educacional do aluno. Isso significa introduzir a tecnologia digital em idades mais avançadas, após a alfabetização básica e o desenvolvimento de outras habilidades.