30/05/2026

Inverno vs Inferno

9 meses de Inverno e 3 de Inferno, é o que estas terras nos dão. 

Pessoalmente não me queixo. 

O Inferno chegou. 


 

29/05/2026

Faz-de-conta que

 não se passa nada, e, tudo aquilo que se passa, é normal. 

Faz-de-conta também que sou LOIRA, que a outra aqui a meu lado é uma "wheat ale" e não uma "pale ale" como de facto é.

Tudo "supúnhamos".

 https://folhanacional.pt/2026/05/29/destruicao-de-gravacao-do-inem-impede-apuracao-do-motivo-do-atraso-de-socorro-em-evora/

 e,

https://folhanacional.pt/2026/05/29/elevador-da-gloria-pj-faz-buscas-por-suspeitas-de-negligencia/ 

 Uma frase que se cita a propósito destas "anormalidades", é a que, é atribuída a Stalin: "sem homem, sem problema", por isso 'mutatis mutandis', sem gravação, sem papelucho, sem registo, sem problema.

Para a frase de Stalin, ler aqui:

https://provereno.media/blog/2021/04/05/govoril-li-stalin-net-cheloveka-net-problemy/ 

Para o acidente no Elevador da Glória - Lisboa, já lá vão quase 10 meses. É caso para dizer: "tarde piaste!", a não ser que, se trate de uma operação de 'implantação'.

No caso da gravação não encontrada, nada de novo, "business as usual".

 

16/05/2026

Escolas no Japão

Pelos vistos  o longo braço dos acordados (wokismo), implantado pela "esquerda" de pacotilha ocidental, ainda não chegou à província mais oriental deste Ocidente degenerado.

Precisamos de exportar umas quantas Marias Penas para o Japão, para quais jesuítas, evangelizarem estas terras pagãs.

Crianças estrangeiras no Japão aprendem a etiqueta da reverência.

TÓQUIO , 8 de maio ( News On Japan ) - Com o aumento do número de residentes estrangeiros no Japão, cresce também o número de crianças estrangeiras que frequentam escolas japonesas, o que leva os educadores a reforçar o apoio não só à aprendizagem de línguas, mas também à adaptação cultural. 

Segundo o Ministério da Educação, o número de alunos do ensino fundamental e médio que necessitam de instrução em língua japonesa chegou a aproximadamente 69.000 em 2023, quase 1,9 vezes mais do que nove anos antes.

Nesse contexto, uma escola primária pública no distrito de Ikebukuro, em Tóquio, chamou a atenção por sua abordagem singular. Cerca de 30% dos alunos da escola são de origem estrangeira, o que levou a instituição a criar seu próprio programa especializado de “sala de aula de língua japonesa”.

As aulas vão além do ensino de vocabulário e gramática, incorporando lições sobre costumes e etiqueta japoneses, incluindo como fazer uma reverência corretamente. Os alunos aprendem que uma reverência padrão deve durar cerca de três segundos, refletindo a importância dada à etiqueta e ao comportamento social na sociedade japonesa.

O programa foi desenvolvido para ajudar as crianças a se adaptarem sem problemas à vida escolar e à comunicação diária no Japão, onde regras e boas maneiras não ditas muitas vezes desempenham um papel significativo nas interações sociais.

A reportagem acompanha a nova vida de uma menina do quinto ano que chegou ao Japão vinda de Myanmar em março deste ano e agora estuda na sala de aula de língua japonesa da escola, enquanto se adapta a um ambiente completamente novo.


 



 

13/05/2026

Quem tem cu

tem medo.

https://www.paginaum.pt/2026/05/12/escolas-foram-isco-para-burla 

 ‘Escolas foram isco para burla’, diz presidente da associação de directores escolares

Elisabete Tavares


Depois da polémica em torno do caso dos influenciadores que andaram a falar a alunos em escolas públicas, a Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) enfrenta um outro caso ainda mais grave e complexo: o da alegada burla ocorrida dentro dos estabelecimentos escolares, que deixou um rasto de famílias lesadas em todo o país.

O Ministério da Educação já revogou a autorização dada a uma associação que serviu de “fachada” para a empresa de formação Advance Station (ex-Joviform) enganar pais de alunos. Mas a ANDAEP decidiu avançar com medidas, perante o risco de as direcções escolares poderem vir a ser responsabilizadas por terem permitido a entrada da empresa nas escolas.

“Esta empresa tem usado as escolas como isco”, disse Filinto Lima, presidente da ANDAEP, em declarações ao PÁGINA UM. “Estamos preocupados com o tema”, frisou.

A preocupação prende-se não só com o facto de as escolas terem sido usadas num esquema que enganou famílias, mas também com a possibilidade de poderem vir a ser atribuídas responsabilidades aos directores escolares, que permitiram a entrada da empresa nas instalações da escola em dias do fim-de-semana, para ter “reuniões” onde burlavam os pais dos alunos.

“Sentimos a obrigação de agir. O que vamos fazer de imediato é reforçar a mensagem, junto dos 811 directores dos agrupamentos e escolas, de que a utilização dos espaços públicos não pode servir para legitimar uma prática abusiva”, disse Filinto Lima. “Vamos fazer um comunicado para reforçar o que foi comunicado pela tutela”, indicou.

Filinto Lima, presidente da ANDAEP, na audição conjunta da ANDAEP e da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, que decorreu no Parlamento, no dia 5 de Maio, e onde foi também abordado o caso da ida de influenciadores a escolas. / Foto: Captura de ecrã de vídeo da AR-TV.

Na sequência da investigação do PÁGINA UM, que denunciou o caso, o Ministério da Educação adoptou medidas. Uma delas foi enviar um comunicado a todas as escolas com “orientações” no qual também informava que tinha revogado a autorização concedida à associação usada como “fachada” para a burla, a AILE-Associação Internacional Lusófona para a Educação — que usa o NIF de outra entidade e cujo “presidente” é o sócio principal da empresa Advance Station. O Ministério da Educação também ordenou uma intervenção por parte da Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC).

O caso da utilização das escolas para fins não educativos está na ordem do dia, designadamente pela polémica da presença de influenciadores nas escolas, que foi denunciada pelo jornal Público. O Ministro da Educação, Fernando Alexandre, criou um Grupo de Trabalho para analisar e proibir actividades contrárias aos fins educativos.

Contudo, estas medidas não servem de consolo às muitas famílias lesadas pela burla da Advance Station. Entre as vítimas, há famílias mais vulneráveis, incluindo imigrantes, com poucos conhecimentos da língua portuguesa, e outras, com escassos meios económicos.

O Agrupamento de Escolas Matias Aires, em Sintra, foi um dos que abriu as portas à empresa Advance Station que enganou pais em reuniões na escola num fim-de-semana. / Foto: D.R.

A DECO-Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor recebeu dezenas de queixas num só mês e está a prestar a apoio para ajudar encarregados de educação a anularem os contratos com a Advance Station — que envolvem o pagamento de mais de 130 euros mensais durante 36 meses.

O caso poderá chegar às mãos do Ministério Público, que já em 2016 acusou a empresa (então Joviform) por práticas ilegais. A empresa foi condenada na primeira e segunda instâncias por ter cláusulas ilegais nos contratos.

De resto, as queixas sobre a empresa já são antigas, mas consegue ciclicamente enganar famílias de alunos das escolas públicas com recurso a diferentes “truques” e diferentes marcas. Actualmente, usa a marca Act Academy mas já usou outras como Skills Gym e Instituto Unicenter. A empresa nunca responde às queixas e denúncias e, até ao momento, todos os contactos com a AILE e com a empresa, encetados pelo PÁGINA UM e também pela DECO, têm ficado sem resposta.

Foto: D.R.

O que se sabe é que, apesar das medidas do Ministério da Educação, a empresa não parou de tentar enganar pais de alunos de escolas públicas. O PÁGINA UM confirmou hoje que a Advance Station contactou pais de alunos da Escola EB 2/3 de António Feijo, de Ponte Lima, e conseguiu atrair alguns para reuniões que se realizaram no passado Sábado, dia 9 de Maio.

O director daquele agrupamento de escolas, João Gonçalves, confirmou ao PÁGINA UM que teve conhecimento da realização das reuniões, mas garantiu que “não se realizaram dentro das instalações das escolas” do agrupamento. “Parece que as reuniões foram num centro de explicações, no centro da vila. Espero que não tenham ido muitos pais”, disse ao PÁGINA UM. “A AILE esteve aqui no início do ano a fazer inquéritos, mas nunca mais voltou nem deu os resultados dos inquéritos”, adiantou

Mas, apesar de não ter voltado ao agrupamento, os contactos obtidos pela AILE nos supostos “inquéritos” que fez no agrupamento foram agora usados, não para fins pedagógicos ou de investigação, mas para vender “cursos” de forma enganosa e agressiva aos pais dos alunos daquela escola de Ponte de Lima.

Ariana Cosme, inspectora-geral da IGEC. Desde o final de Março que a IGEC tem nas mãos uma denúncia da DECO sobre a burla praticada nas escolas públicas. / Foto: D.R.

Assim, até que as autoridades competentes resolvam actuar, potencialmente inibindo as práticas da Advance Station, como a lei permite, mais famílias serão lesadas nesta burla que agora prossegue bem perto do lado de fora dos muros das escolas públicas, mas usando os dados obtidos lá dentro, nas salas de aula.

Por enquanto, resta esperar pelo resultado da investigação da IGEC e a eventual intervenção da ASAE- Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, da Direcção-Geral do Consumidor, da Comissão Nacional de Protecção de Dados ou mesmo do Ministério Público. Até lá, os dados de milhares de encarregados de educação de alunos de escolas públicas mantêm-se nas mãos da Advance Station e dos seus vendedores de “cursos online”.

Pode acompanhar o tema da burla nas escolas neste link.

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09/05/2026

Ne nuntium necare

expressão latina que se traduz por: "não mates o mensageiro".

Vários terão sido os governantes que o fizeram na Antiguidade, um deles, Dario III, Xá da Pérsia, mandou matar o mensageiro ao receber a notícia de que, as suas tropas tinham sido derrotadas por Alexandre III da Macedónia, Alexandre, o Grande.

Depois de lerem não matem o mensageiro.  

É certo que, ao votarem, preferem os cantos das sereias nas campanhas televisivas. Os que avisam sobre os perigos, os que denunciam, os que obrigam a pensar , são desmancha-prazeres. 😀

https://www.paginaum.pt/2026/05/05/a-tributacao-da-riqueza-segundo-a-uniao-das-republicas-socialistas-europeias-urse 

 A tributação da riqueza segundo a União das Repúblicas Socialistas Europeias (URSE)

Luís Gomes

Bruxelas publicou dois relatórios sobre tributação da riqueza. São volumosos, eruditos, cheios de gráficos e citações académicas. Custaram dinheiro dos “contribuintes” – a classe que paga efectivamente impostos – a produzir. Têm uma tese central que se resume a uma frase: a riqueza está cada vez mais concentrada nos mais ricos, pelo que é necessário taxá-la mais!

Há apenas um problema. Os relatórios não explicam como é que essa concentração aconteceu. Ou melhor: explicam tudo excepto isso.

O relatório começa por chorar. Com dados. “Entre 1995 e 2023, a riqueza privada na União Europeia tornou-se progressivamente mais concentrada nos grupos mais ricos. Em 2023, os 10% mais ricos da população detinham 60% da riqueza das famílias, registando um aumento de 3 pontos percentuais desde 1995.

A seguir, os autores constroem um argumento que termina sempre a dizer-nos que é preciso confiscar mais: se há desigualdade, é preciso redistribuir. Se é preciso redistribuir, é preciso tributar. Se é preciso tributar, é preciso um relatório a recomendar como. Eis o relatório.

O que não encontrará nestas centenas de páginas, por mais que procure, é uma análise honesta da origem do problema. O relatório está estruturalmente impedido de a fazer. Seria como pedir ao incendiário que investigue o incêndio.

Close-up view of an open book with pages fanned out against a soft blurred background.
Foto: Caio

Porque a verdade – documentada, mensurável, irrefutável nos dados de mercado – é que a explosão de desigualdade de riqueza das últimas duas décadas tem um nome e uma morada. Chama-se Quantitative Easing – nada mais que uma expressão pomposa para impressão massiva de dinheiro – e mora em Frankfurt, na sede do Banco Central Europeu.

Em 2008, o mundo financeiro entrou em colapso. Os bancos centrais responderam com a única “ferramenta” que tinham: a criação massiva de dinheiro. A Reserva Federal norte-americana, o Banco Central dos EUA, expandiu o seu balanço de 900 mil milhões para 9 biliões de dólares norte-americanos. O BCE fez o equivalente europeu, com a mesma lógica e o mesmo efeito.

Este mecanismo tem um nome técnico que os economistas do século XVIII já conheciam. Chama-se efeito Cantillon, em homenagem a Richard Cantillon, que o descreveu com uma clareza que nenhum Banco Central conseguiu desde então refutar: quando se cria moeda nova, não entra na economia de forma uniforme. Entra por pontos específicos – os mais próximos da fonte – e apenas depois se difunde, já desvalorizada, para os restantes – para os desgraçados que estas luminárias pretendem “proteger”.

A sequência é simples. O Banco Central cria moeda. Essa moeda vai para os bancos. Os bancos compram activos financeiros: acções, obrigações, imóveis, arte. Os preços desses activos sobem. Quem os detém fica mais rico, instantaneamente, sem produzir nada, sem trabalhar, sem inovar. Quem não os detém – a vasta maioria das pessoas – vê o custo de vida subir e o acesso à habitação tornar-se impossível.

Os números estão nos mercados. Desde os mínimos de Março de 2009 – o fundo da crise que justificou a impressora – até 2025, o índice Nasdaq 100 valorizou mais de 2.000%. O S&P 500 ganhou mais de 700%. O Russell 2000, o índice das pequenas empresas norte-americanas, as que dependem menos do mercado de capitais e mais do crédito bancário local, subiu “apenas” 560%. A hierarquia é reveladora: quanto mais próximo da torneira do dinheiro novo, mais se ganhou.

Evolução dos índices bolsistas Nasdaq 100, S&P 500 e Russell 2000 desde os mínimos de Março de 2009 até 2025, indexados a 100, com retornos anualizados; Valorização dos principais índices accionistas norte-americanos desde os mínimos da crise financeira de 2008–2009 (base 100 = Março 2009, valorização de preço sem dividendos). CAGR calculado sobre 16 anos. Fonte: Bloomberg; Análise do autor.

Para se compreender o efeito Cantillon no seu estado mais puro, não precisamos de ir ao Nasdaq. Temos os dados dos nossos próprios mercados de dívida soberana, e são esclarecedores ao ponto do escândalo.

O Thomson Reuters Total Return Index das Obrigações do Tesouro Português a 10 anos – que inclui os cupões reinvestidos – valia cerca de 400 pontos em Janeiro de 2010. Com a crise da dívida soberana, quando os mercados perceberam que Portugal não pagaria sem ajuda, colapsou para 211 em Janeiro de 2012. Uma perda de quase metade do valor em dois anos para quem detinha dívida portuguesa.

Depois? Em Julho de 2012, Mario Draghi proferiu a frase mais cara da história monetária europeia: “O BCE está pronto a fazer tudo o que for necessário para preservar o euro. Acreditem, será suficiente.” O índice inverteu imediatamente. Com a implementação do programa de compras de activos – o chamado QE europeu, iniciado em Março de 2015 – o índice disparou de 211 para 1.037 em Janeiro de 2021. Um ganho de 391% em nove anos, fabricado inteiramente pela impressora de Frankfurt.

Obrigações do Tesouro a 10 Anos de Portugal e Grécia – Retorno Total acumulado desde o discurso “Whatever it takes” de Draghi (Julho 2012); Thomson Reuters 10Y Government Total Return Index – dados reais. Retornos calculados a partir de 26 de Julho de 2012 (“Whatever it takes”, Draghi). Base 100 = Julho 2012; Eventos do BCE assinalados. Inclui cupões reinvestidos. Fonte: Investing.com – Análise do autor.

A história grega é ainda mais brutal. O mesmo índice para as obrigações gregas colapsou de 196 em Junho de 2009 para 37 em Junho de 2012. Uma perda de 81% em três anos. Os credores privados que tinham dívida grega viram quatro quintos do seu capital evaporar. Mas os fundos especulativos – os que compram no desespero e esperam o resgate – compraram obrigações gregas a 37 cêntimos no euro; depois o BCE salvou-as. O mesmo índice chegou a 424 em 2021. Um ganho superior a 1.000% para quem tinha apostado no resgate.

Quem beneficiou? Os bancos alemães e franceses que tinham os títulos em carteira e esperaram pela intervenção. Os que compraram no colapso. As instituições financeiras que, pela sua proximidade com o sistema, receberam o dinheiro novo antes de todos os outros.

Quem pagou? Os “contribuintes” portugueses e gregos, que financiaram a austeridade – os tais impostos – que acompanhou os resgates. Os aforradores conservadores, cujas contas a prazo renderam zero durante uma década, enquanto os activos de risco disparavam. Os jovens, que viram o imobiliário tornar-se inacessível porque o dinheiro criado do nada foi primeiro para acções e propriedades e só depois, já desvalorizado, chegou aos salários.

Isto é o efeito Cantillon. Não é teoria. Está nos dados. Está nos gráficos. Está nas contas bancárias de quem ganhou e de quem perdeu.

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Foto: Tom Caillarec

Os dois relatórios da Comissão Europeia analisam com detalhe as consequências desta redistribuição silenciosa. Estudam os países que têm ou tiveram impostos sobre o património – Áustria, Alemanha, França, Espanha, Noruega, Suíça, Colômbia. Documentam com honestidade académica que esses impostos geralmente falham: as receitas são modestas, a evasão é generalizada, os verdadeiramente ricos evitam-nos facilmente, e a carga recai sobretudo sobre a classe média com activos ilíquidos – empresas familiares, imóveis, heranças de trabalho de décadas.

Em França, o ISF – o imposto sobre o património que existiu de 1989 a 2017 – gerava receitas equivalentes a 0,25% do PIB no seu pico. Os 0,001% mais ricos pagavam uma taxa efectiva de 0,1%, graças aos mecanismos de limitação da carga fiscal. Em Espanha, 44% da receita potencial nunca é cobrada. Na Alemanha, os custos administrativos do antigo imposto sobre a riqueza chegaram a 42% da receita gerada – o Estado gastava quase tanto a cobrar o imposto quanto recebia dele.

Os próprios relatórios reconhecem estes factos. A conclusão que tiram é: precisamos de um imposto “melhor desenhado”. Com mais harmonização. Com mais troca automática de informação. Com menos brechas. Em nenhum momento se pergunta: e se o problema não for a insuficiência de impostos sobre a riqueza, mas a política monetária que a gerou?

Enquanto deliberavam sobre como taxar mais os “contribuintes” europeus, os autores dos relatórios analisaram cinco categorias de instrumentos: imposto sobre o património líquido, imposto sobre mais-valias não realizadas, imposto sobre mais-valias realizadas, imposto sobre heranças e doações, e imposto de saída. As duas apostas principais são o imposto sobre heranças e o imposto de saída.

O imposto sobre heranças é a grande prioridade. O relatório invoca a chamada “grande transferência de riqueza” – a passagem do património acumulado pela geração dos baby boomers para os seus herdeiros, que está prestes a atingir valores históricos. Este evento, escrevem os autores, representa “uma oportunidade” de tributação!

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Foto: AbsolutVision

O relatório argumenta ainda que taxar a riqueza herdada tem efeitos “modestos” sobre o empreendedorismo e a criação de riqueza futura. A família que construiu uma empresa ao longo de três gerações ficaria reconfortada com o adjectivo.

O imposto de saída é a segunda prioridade. Querem que seja aplicado às mais-valias não realizadas (sic) no momento em que um contribuinte muda de residência fiscal. Ou seja: mesmo que não tenhas vendido nada, mesmo que não tenhas recebido um cêntimo, o acto de sair de um país deve desencadear um imposto sobre os ganhos teóricos dos teus activos. É uma taxa sobre a liberdade de circulação, apresentada com a linguagem asséptica de burocratas da tirania fiscal.

E depois vem a frase que merece ser citada na íntegra, porque revela tudo: o relatório afirma que “a resposta em termos de mobilidade internacional é frequentemente sobrestimada.” Em linguagem simples: os autores partem do princípio de que os “contribuintes” mais “ricos” não irão sair e irão simplesmente suportar a carga fiscal adicional. É a assunção do carcereiro: construímos a prisão, portanto ficam.

A tendência aponta também para um reforço sistemático do controlo financeiro, apresentado sob o eufemismo de “declaração normativa”. A troca automática de informação entre administrações fiscais – que o relatório celebra como um avanço da transparência – é, na prática, a construção de uma arquitectura de vigilância patrimonial à escala continental. Os censores romanos, que percorriam os territórios conquistados a inventariar os bens de cada conquistado para determinar quanto podiam extrair, reconheceriam o método com satisfação.

Há uma lógica perfeita neste ciclo, uma vez que se aceite a premissa de que o Estado tem o direito de fazer tudo isto.

O Banco Central cria dinheiro. Esse dinheiro inflaciona os activos dos ricos. As estatísticas registam aumento da desigualdade. Os académicos e as universidades – muitos financiados pelas fundações das mesmas elites – produzem relatórios sobre a desigualdade. A solução proposta é um imposto administrativamente complexo que os verdadeiramente ricos evitam com facilidade, mas que recai sobre a classe média com activos ilíquidos. O Estado expande a sua capacidade de vigilância patrimonial. O Banco Central continua a imprimir.

brown metal chain in close up photography
Foto: Hussain Badshah

O ciclo fecha-se. A desigualdade que serve de pretexto para o imposto é alimentada pela política que o imposto pretende corrigir. É o esquema mais antigo da política: criar o problema, apresentar-se como solução, expandir o poder no processo.

O relatório da Comissão Europeia sobre tributação da riqueza é um documento sério, tecnicamente competente, honesto na sua documentação do fracasso histórico dos impostos que estuda. Tem apenas uma lacuna fatal: não analisa a causa do problema que pretende resolver. Essa lacuna não é um acidente. É a condição da sua existência.

Luís Gomes é gestor (Faculdade de Economia de Coimbra) e empresário

08/05/2026

Castigos corporais

 Singapura, uma ilha-cidade-estado-república, aprovou o uso da vara para castigos corporais, destinados a alunos do sexo masculino com idade superior a 9 anos em casos de "bullying", termo agora na moda.

Com uma população a rondar os 6 100 000, a densidade populacional é de 3 800 habitantes por quilómetro quadrado, o que lhe confere o 3º lugar a nível mundial, após Macau e o o Mónaco e à frente de Hong-Kong e Gibraltar. 

Muita gente junta.

Não será em termos religiosos que se explica esta opção, já que, não há uma religião maioritária. 

31% budismo; 20% sem religião; 19% cristianismo (não confundir com os adeptos do cristiano); 16% islamismo; 9% taoismo;  5% hinduismo; ...

https://www.theguardian.com/world/2026/may/06/singapore-caning-school-bullies 

 " Alunos do sexo masculino que praticarem bullying contra outros, inclusive por meio de cyberbullying, serão punidos com castigos físicos como "último recurso", de acordo com novas diretrizes introduzidas em Singapura.

Segundo as novas regras, que foram debatidas no parlamento na terça-feira, os estudantes do sexo masculino podem receber até três chibatadas.

Organizações internacionais como a Unicef, agência da ONU para a infância, opõem-se ao uso de castigos corporais em crianças, alegando que isso prejudica sua saúde física e mental e aumenta os problemas de comportamento ao longo do tempo.

O ministro da Educação, Desmond Lee, disse aos parlamentares que o castigo físico só seria aplicado "se todas as outras medidas forem insuficientes, dada a gravidade da conduta".

... (continua no link supra".

Por cá, por menos, um empregado ou empregada mal pagos, são transformados em criminosos para o resto das suas vidas.

Talvez o rigor explique porque é que o Banco Mundial classifica Singapura em 1º lugar em termos de rendimento per capita  do Produto Interno Bruto (PIB) em paridade do poder de compra (PPC) (É um valor semelhante ao PIB nominal per capita, mas ajustado ao custo de vida em cada país). 

Portugal ocupa alegremente o 42º lugar.

Muita falta de vergastadas no POVO, que elege tais políticos para o governar.