28/11/2025

É fazer a conta

como explicou o pequeno engenheiro antónio guterres, quando tropeçou com o cálculo da percentagem

Não há dinheiro para gastar no SNS, nem na educação, nem em …, nem …

É verdade?

Vivemos acima das nossas possibilidades? 

Vivemos endividados. Uma criança que hoje nasça em Portugal, em vez de receber um par de brincos de oiro (hoje o que resta da agenda ‘woke’ promovida pela esquerda ‘dos valores putrefactos’ não distingue entre sexos, todos os sexos são iguais para ela) recebe uma colossal dívida, para a qual em nada contribuiu. 

É a sua herança logo à nascença.

Aqui diz-se que já foram dados à Ucrânia, para o Zé Cocaína ter os apartamentos que tem e nos países que tem. Ele que de habilidades conhecidas para fazer dinheiro, até ser eleito presidente, eram estas:

 

tocar piano com o pénis. 150 000 000 000€ dados pela UE, na qual nós estamos inseridos, para mal dos nossos pecados.

A UE tem uma população de estimada em 450 000 000 de habitantes, tem mais, mas esses que diariamente aqui chegam trazidos por redes mafiosas da nebulosa do Soros, não contam como contribuintes, são parasitas do sistema que aqui temos, sistema moldado mais uma vez, tenho que dizer, pela Esquerda. Esquerda que acha que se pode tirar, de onde não há.

Assim cortando 7 zeros e dividindo 15 000 por 45, temos 333,333...€ por cabeça.

Eu, tu, eles, elas, nós, vós, perdemos este valor.

O pequeno ‘gauleiter’ que se senta em São Bento, o de Lisboa, dirá que temos que viver dentro das nossas possibilidades.

Fazer política é tomar decisões, assim eles decidem que devem ajudar um bando de nazis ucranianos e que não devem ajudar portugueses nascidos em Portugal e se eles estiveram mal, que se mudem, já o Cuelho lhes disse nos tempos em que a Troika aqui andava a por ordem na casa. 

Viu-se a ordem que eles impuseram. Partes da população foram centrifugados para a periferia porque o capital vinha aí instalar hotéis, hosteis,  pousadas, albergarias, albergues... e depois há quem se admire que parte dos que votam, tenham votado contra o Sistema instalado e sustentado umas vezes com o voto, outras com o olhar para o lado, a que eles chamam abstenção.

Não elegemos o presidente da UE, antónio Bosta, que está desaparecido em combate. Alguém houve falar dele? 

Talvez disto tenham ouvido falar.

Não elegemos a Ursa von Liar, mas gente da laia dela, pensa em fazer isto

Belo futuro nos espera. 

Quando forem votar, votem como é vosso hábito, votem da mesma maneira, esperando que o resultado seja diferente.

Einstein estava enganado e cabe a vós todos prová-lo.

- - - - -

Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. — Albert Einstein.

 

 

27/11/2025

Peregrinação V

3ª feira – 18 de Novembro de 2025

Acordo com o ‘despertador’. 
Continuo a usar o velho telefone de teclas para esta função. Estou habituado a estes sons, outros sons sou capaz de os ignorar como aviso de acordar, isto apesar de ser sensível aos ruídos por mais pequenos que sejam e que por vezes, me acordam durante a noite.

Banho tomado. Vou arrumando as coisas na mala, mais uma vez percorro os espaços usando o método japonês de apontar o dedo e olhar no ponto para onde aponta. Parece ridículo? Talvez! Como ocidentais somos arrogantes, ou é como nós fazemos, ou os outros são meros bárbaros. Verifico assim mais uma vez que não vou-me esquecer de nada.


Faço o ‘check out’, pago a taxa turística com que o governo e as autarquias esmifram turistas, sejam eles nacionais ou estrangeiros, esmifram por igual, 3€ no Porto e 4€ em Lisboa por noite pernoitada, a diferença de valor aqui, tem que ver com o apetite de cada “autarca”. As aspas são, porque no grego “autárkes” é aquele, «que se basta a si mesmo». Eu a mexer na bolsa dos outros, também era Autarca. Abandono o nº 25 da Praça da Liberdade.

Vou ao pequeno café comer uma tosta mista, um sumo de pêra e acabo a beber café, normalmente só o faço já depois do almoço, mas o viajar altera as rotinas.
 
Acabo a falar com a dona sobre algumas desditas dela, estava vestida de preto, não por moda, mas porque o pai tinha falecido. Jovem, simpática, bonita, com um ar de minhota, não por nascença, nasceu no Porto, mas por herança genética. Conversamos sobre seguros, as dificuldades que teve em trasladar o pai que faleceu no Sul de Espanha, apesar de ter seguro, a companhia foi protelando, pedindo que ela avançasse com as despesas, entretanto era preciso mais um papel, depois outro. A habitual via-sacra que todos vivem,  quando passada a hora de todas a facilidades na assinatura do contrato, as promessas são postas à prova. O corpo do defunto, esse aguardava que o dinheiro aparecesse. É muito lindo viajar para a estranja, poder dizer eu estive lá e tu? Mas, há o Diabo, e esse vive naquelas coisas chatas que só gente chata pensa nelas. Na hora de pagar e sair, perguntei-lhe se era casada. 
Sou! 
Disse-lhe: espero que tenha escolhido bem!
Será uma pena, se se enganou.

Chego cedo a Campanhã, o intercidades é só às 10:44 Vou deambulando por aqui. Passo algum tempo na loja da mbooks, é uma loja com muita mais área do que as das estações do metro e de Santa Apolónia em Lisboa. 
Compro dois livros, coisas antigas, 5€ cada, um sobre Santiago Carrilho, comunista espanhol, o outro sobre Sita Valles, uma comunista, vítima do comunismo à angolana, nada de novo, o fuzilamento sempre foi e será, o método dialéctico preferido dos comunistas. 
Estas páginas negras, que outras ideologias também têm, não interessam nada, aos que julgando-se de esquerda, acham-se superiores eticamente. Recebi na hora de pagar um marcador de leitura, nunca o recebi em Lisboa. 

O comboio acaba por chegar. Iniciada a viagem, sento-me no lado esquerdo da carruagem, que nesta carruagem são os lugares individuais. A meias, só nos pés. 

A paisagem vai desfilando rapidamente, já num registo de memória difusa, que como todas as memórias, mistura o real com o imaginário, cores pasteis, recordações vivas, outras esbatidas, …
 



À chegada ao Entroncamento tenho cerca de 10 minutos de atraso, para descontar na 1 hora e 23 minutos para a próxima ligação. Não posso perder tempo, dirijo-me ao 'Cascata de Ingredientes', o restaurante mais perto da estação e com melhor aspecto. Já comi aqui num outro, mas é mais longe. Pergunto qual o prato mais rápido e entre os enumerados, escolho o bacalhau com espinafres e broa gratinado. Muitas são as garrafas de exposição, mas opto pelo jarro de 0,25L branco. Não esperei muito tempo. Peço sobremesa, café e conta, tudo junto. 

Olho para a conta e digo à empregada para me trazer 5€ de troco. Paguei com uma nota de 20€ e com gorjeta, pago o mesmo que paguei pelo copo de branco do Tapada do Chaves. 👍


Sobra-me ainda tempo, caminho sem pressa para a estação, antes assim, que vir a correr.

O resto da viagem é rotineira e decorre numa carruagem quase vazia, o que não me impede que me irrite. Um velho vai entretido a ver vídeos no télélé, azar o meu, são vídeos zucas, ainda por cima rascas. Podia usar uns auriculares, mas não usa, dá bosta para quem está por perto. Viajo com os auriculares sempre colocados e tenho que aumentar o som, para cancelar o ruído. Ruído é tudo aquilo que nos chega aos ouvidos e que não desejamos receber. 

Chego com um ligeiro atraso ao destino, típico das linhas de via única, em que os comboios têm que esperar em algum lado, para se cruzarem. Saio da carruagem e é o choque habitual. O tempo é sempre outro, seja quente ou seja frio, a humidade essa é quase sempre pouca, o ar cheira diferente aqui. 

O corpo está de volta, o pensamento esse ficou lá longe.
 
 
 - - - - - 
 
the end 
 
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Urbi et Orbi

Obrigações familiares levam-me a estar ausente. 

Espero que, ao contrário de uma outra vez, estas obrigações familiares não suscitem dúvidas sobre a sua natureza.

Nessa outra vez escrevi que, no fim-de-semana que se avizinhava, iria estar ausente, já que obrigações filiais assim mo exigiam.

Essas obrigações filiais, foram entendidas como pertença ao um partido. Consultado o oráculo, o Google lá assinalou que, um pequeno partido na altura, até tinha uma actividade agendada nesse local. Batia assim a bota com a perdigota. 😁

Agora de 28 Novembro até 03 Dezembro, este teclado estará em modo de 

  

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26/11/2025

Peregrinação IV

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2025.

No local onde residem os Deuses e as Deusas, no Olimpo, a vida não é muito diferente da que os terráqueos aqui vivem. 

Hoje é segunda-feira e as Deusas, Musas e Ninfas têm que se levantar cedo para irem trabalhar. Ninguém gosta de dar tiros nos próprios pés, além de doloroso é incoerente. Assim a Ninfa hoje descruzou os dedos com que passou o fim-de-semana a fazer figas, para que o mau-tempo me fustigasse. Tem que ir trabalhar, as ninfas também têm que trabucar para terem que manducar. Não se queria molhar. Agradeço-lhe a mudança de humor e desculpo-A pela maldade praticada contra este pequeno ser, indefeso perante a omnipotência dos Deuses. Obrigado!

Levanto-me cedo e vou tomar o pequeno-almoço ao café, a casa é pequena, mas está bem situada. Aproveito para analisar o ambiente no Porto à saída de uma estação de comboios e de metro, comparo-o com as minhas referências em Lisboa. O Porto como cidade mais pequena e com menos gente, fica a ganhar. A ‘pronúncia do Norte’ é uma música que não oiço normalmente e que aqui me sabe bem ouvir.

Faço um parêntesis aqui, para comparar valores. 
A área metropolitana de Lisboa tem uma área de 3001Km2, uma população de 2.870.208 habitantes e uma densidade populacional de 956,4 habitantes/Km2.
A área metropolitana do Porto tem uma área de 2040 Km2, uma população de 1.737.395 habitantes e uma densidade populacional de 844 habitantes/Km2.

Vou só referir uma especificidade local, talvez em vias de extinção como tantas outras coisas. A minha irmã que vem com alguma frequência ao Porto, porque gosta dele, um dia disse-me que só aqui as empregadas nas lojas a tratavam por: - menina. Não se espera essa ternura de uma empregada em Lisboa. Vendedoras de feira? Engraxadela para vender? Que o seja. Agora é um amasso que sabe bem ao ego. 
A talhe de foice, recordo o dia em que a minha ex-mulher chega a casa chocada. Chocada porque ao entrar para o autocarro, aquilo era uma perfeita anarquia, já que nem sempre os autocarros paravam no mesmo sítio e o sítio não se prestava a organizar uma bicha, bicha sim, no tempo em que eu fazia as  palavras cruzadas no jornal, fila, era uma enfiada. Estamos conversados, ou continuo? Dizia eu que chegou a casa chocada, porque os putos da escola disseram: - deixa passar a senhora. Há sempre um dia!

Rumo ao Palácio da Bolsa. Embarco num grupo de estrangeiros e sou o único indígena nele. Ao entrar, foi-me proposta uma visita para um pouco mais tarde em português. Esta que irá ocorrer agora às 09:20 é em inglês, dispenso a opção, o meu objectivo é ver e fotografar. 

Não faz sentido para mim compartilhar uma visita em que as explicações me são dadas em português e pela certa serei o único, e obrigar os ‘camones’ a ouvirem a língua de Gil Vicente ou Camões e acharem que se calhar, é italiano, como me aconteceu na visita às caves da Cálem. Eu troquei umas palavras com o guia da visita sobre os vinhos em português. Como não ia comer os frutos secos todos, que a opção de vinhos escolhida me fornecia, ofereci ao casal que estava à minha frente na mesa, o pires para comerem também. A francesa ou suíça disse-me em francês, que não falava italiano. Sorri e não respondi. 







A visita ao Palácio da Bolsa é curta, cerca de meia-hora, o que é uma pena. Há tanto para ver. 

Terminada a visita vou-me arrastando lentamente para a Ribeira de Gaia para almoçar. Tenho tempo e o tempo está, como deveria ter estado o fim-de-semana todo. 

Ao meio-dia entro no Uva by Cálem para me sentar. 

Não havia Tapada do Chaves a copo, assim acabei a beber um Burmester branco. O risotto de espinafres com gambas estava bom e no final experimentei uma sobremesa para me fazer rir, ‘carpaccio’ de ananás com gelado. É a primeira vez que o faço e vai ser a última. 

Rio-me sempre que leio ‘carpaccio’ seguido do nome de uma fruta qualquer, porque ‘carpacio’ é isto aqui

Nada tem que ver com os fatiados de fruta. Enquanto que o verdadeiro ‘carpaccio’ tem semelhanças com os tons de vermelho nos quadros de Vittore Carpaccio, de quem Giuseppe Cipriani, o criador do prato era um admirador.

Quando a condessa Amalia Nani Mocenigo perguntou como se chamava o prato, Cipriani respondeu: - Carpaccio!  Terá acrescentado em pensamento, quase pela certa: - minha tonta!
Por isso, vão chamar ‘carpaccio’ ao … chamem-lhe simplesmente como alguns fazem, fruta da época fatiada.

Saio do restaurante e rumo à Ribeira do Porto pelo tabuleiro inferior da ponte D. Luiz I, atravesso o túnel da Ribeira e na saída dele, reparo na fachada da Feitoria Inglesa

Atravesso a rua e em boa hora o fiz. Tem indicação que pode ser visitada. 

Converso com a funcionária que me vende o bilhete, ela dá-me uma breve explicação e pergunto se posso fotografar. Que sim, além do rés-do-chão são mais dois pisos abertos a visita e diz-me que posso andar por todo o lado. Assim faço.

Entro e no bilhete está impressa a hora de compra, 13:36. Não está mais ninguém para visita.  

Infelizmente as portas do Paraíso estavam fechadas, eu ainda murmurei uma palavra-passe, mas não se abriram. 

Uma rolha fora e com esta temperatura acho que marchava bem.

Esta sim, foi uma verdadeira visita, sem ninguém a estorvar, sem grupo e guia para acompanhar. 

Quase ao terminar o 2º andar, aparece uma funcionária, que percebi que seria alguém responsável aqui. Já que, na conversa à entrada a senhora me tinha perguntado se eu tinha bilhete, estaria a referir-se a uma compra pela internet e se tinha combinado alguma coisa com a D._ _ _,  não fixei o nome. Que não, não tenho nada, posso comprar agora? Posso fotografar? 





E ao conversar com a responsável manifestei-lhe a minha admiração pelo que acabava de ver e expressei satisfação, por finalmente os membros da Feitoria terem aberto a casa ao público para visita. 

Estão fechados às 4ª e 5ª feiras, já que é nesses dias que os membros se reúnem ali. É por isso uma casa que está viva, que é usada e que está aberta a visita. As conversas são como as cerejas e acabamos a concordar os dois que, a visita ao Palácio da Bolsa é realmente uma pena, ser tão curta.

É este o tipo de actividade que gosto, andar sem programa, sem nada marcado, descobrir algo que ignorava e que me surpreende. O mesmo também me acontece nas leituras, nada melhor que ler alguém, que me apresenta um ponto de vista no qual eu não tinha pensado e que nessa apresentação, me relembra o muito que ignoro sobre tudo.

Vou subindo a Rua de São João, aproveito para fazer um telefone a informar a minha irmã e o meu cunhado, que na próxima visita à ‘Inbicta’ (este ‘b’ num afecta a consoante ante, ao jeito da professora que dizia às crianças: num se esqueçam que …, se escreve com b de baca) têm que vir aqui. 

Passo pelo hotel para tomar um banho, o tempo está quente e o caminhar passa a sua factura. Tirado o cheiro a cão, saio para andar de metro. Uma forma de tomar o pulso ao movimento na cidade ao fim de um dia de trabalho. Vou até à Trindade na linha amarela para ter uma ideia das ligações aqui e inverto o sentido de marcha indo até Vila d'Este. 

 

Ao regressar, saio no Jardim do Morro e vejo uma multidão a olharem para Poente. O primeiro pensamento foi: D.Sebastião deve estar a chegar. 

Camané teria cantado, eu só em pensamento o consigo fazer. 

 


Metro novamente até São Bento.

Chegado ao bar, opto por um martini em vez da loira. Foi uma boa escolha. É que passado alguns momentos, entra uma 'loira' portuguesa, pronúncia do Norte, nervosa, picareta falante ao telefone desde que entrou, sou mau avaliador de idades, não era nova nem velha, ... e a autêntica loira iria saber-me mal ao bebericá-la. 

Está nas minhas costas, mas fiquei a saber que é empregada numa agência imobiliária. Chegou lá e venceu, conseguiu vender aquilo, que todo o mundo achava impossível de vender. 

De tanto pronunciar o nome dele, fico a saber que um Vasco, está na outra ponta do fio. Era assim antigamente e no tempo dos PBX, a telefonista, podia acompanhar a conversa entre eles. Tinha um pequeno fio na mão e em cada ponta do fio havia uma cavilha, que era introduzida em dois orifícios, estabelecendo assim a ligação entre eles. "mutatis mutandis" Freud que fumava charutos, disse que: "sometimes a cigar is just a cigar" assim estaria a cavilha umbilical.

Agora as ligações prescindem do fio, andam pelas ondas, pelos fios também, mas tudo tem um ar etéreo, um ar de 'nuvem', 'cloud', apesar da forte componente de 'hardware' que o sistema tem.

Viu-se no dia do pequeno apagão de 28 de Abril de 2025, pequeno, porque o próximo vai ser maior. Palavra de vidente. Faltou a componente suja do sistema, motores, turbinas, inércia, inércia que só há no mundo mecânico e no das atitudes e comportamentos. Não há inércia nos sistemas ditos "inteligentes", aí só há a burrice que o programador humano lá introduziu.

A "loira" falou que se desunhou. A cada meia dúzia de palavras lá saía: - mas ó Vasco! tu tens que ...; ó Vasco eu sei que tu ...; eu tive aulas de canto, Vasco!; entretanto ainda atende duas "amigas" com o Vasco em espera, (as mulheres não têm amigas, acabada a ligação dizem logo delas, o que Maomé não disse do toucinho) e lá continuou o: ó Vasco! ó Vasco!. Não me apercebi que estivesse calada mais do que o tempo necessário para respirar um pouco. 

O Vasco é músico, toca umas coisas que serão parecidas com 'jazz', toca nos barcos, e ela tenta movê-lo para outras áreas e fazer dele um astro. Tu tens talento, Vasco! Eu conheço pessoas que sabem tudo sobre ... podem-te ajudar Vasco! O 'ó Vasco' é sempre pronunciado enfaticamente.

Entretanto a tranche de salmão já tinha sido comida e eu subo para o quarto. 

Amanhã quero estar a sair antes das 9. É hora de iniciar o regresso e antes chegar cedo a Campanhã, que atrasado.

Foi uma óptima estadia, soube-me a pouco e fica-me vontade de repetir. Só me falta arranjar um outro pretexto para voltar.

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150€

 se eu dividir 150€ por 30 dias, a calculadora diz-me que são 5€ por dia. 

Uso a calculadora, porque não quero arriscar fazer como um meu companheiro, do tempo em que todos e todas andávamos a educar o Povo, a ensiná-lo como deveria votar, o que era correcto e não era correcto, e falhar os cálculos feitos de cabeça. Esse mesmo, A.G., o Picareta Falante.

O que é que eu faço com 5 euros por dia colocado a 70 Km de casa?

Uma coisa é eu viver em Santarém e ser colocado à entrada de Lisboa. Os 150€ devem dar para o passe no comboio, mas não dão para a viagem de carro, combustível, portagens, desgaste, seguro... 

Estive a olhar para os preços no 'site' da CP, depois de ter escrito esta entrada aqui, e parece-me que falta dinheiro para viajar com o passe mensal de Santarém até Lisboa-Oriente. O putativo/a professor/a não deve morar/trabalhar à saída de ambas as estações, por isso, ponham lá mais uns cobres em cima.

Que eu saiba, nenhuma Lei desta república bananeira, me obriga a ter carro, nem telefone, nem toda a quinquilharia que esta corja que me rodeia, acéfala em elevadíssimo grau tem e usa. 

Depois 500€ parecem uma fortuna. Mas chegam para alugar uma casa a 300Km, da casa que tenho? Duvido.

Com a complacência dos desGovernos que temos, assistimos a uma gentrificação das cidades, não se trata já só de uma zona histórica com potencial para turismo, mas de toda a cidade e suas áreas suburbanas.  

A centrifugação está a enviar, já não só gente com salários baixos e a viver em casa antigas com rendas baixas, mas gente que em teoria deveria pertencer a uma classe média, para fora das cidades. 

Sei-o por conhecimento familiar e de amigos nessa situação e sei-o por, o muito que leio.  

Num recente fim-de-semana, tive uma conversa com amigos num almoço e a conversa acabou por roçar a política politiqueira em Portugal. Não a acompanho desde o Carnaval das Máscaras, que os pulhas da indústria farmacêutica com a conivência da classe médica vendida aos cifrões montaram,  deixei de seguir o que se passa em Portugal. Sei algumas coisas, mas a generalidade das fofocas ignoro-as. Vivo literalmente a LESTE daqui, via internet. Se se passar algo em Portugal que um site estrangeiro noticie, eu sei, senão ignoro. Que alívio!

E eu disse que agora era um 'fascista', um 'chegano', um perfeito aborto. 

Escândalo!  

Sou realmente, E acuso o chefe daquele partido de ser um Populista em vez de ser um Nacionalista. Mas à falta de alternativa, hei-de votar neles mais uma vez. É um voto de protesto, mais do que de concordância. 

É um partido de um homem só?

É.

Mas também o PCP foi o partido do Álvaro Barreirinhas Cunhal. 

Agora o apoio que ele deu ao antónio Bosta, ditou como previu o VPV, Vasco Pulido Valente, (não era este o Vasco da 'loira')  a sua extinção. Brevemente desaparecerá dos assentos na AR.

Os 150€ e os 500€, são sobre professores, educação e o desgoverno da Pátria. 

Este é um despacho da Agência LUSA e não uma notícia da Folha Nacional ligada ao CHEGA.

 https://folhanacional.pt/2025/11/25/mais-de-seis-mil-docentes-pediram-subsidio-de-deslocacao-e-foram-recusados-460/

Os professores andaram a ser enrolados na farinha durante este tempo todo, por um comunista chamado Mário Nogueira, mas não só. Já saiu, mas nunca trabalhou. Era aquele que  o António Guterres (A.G.) sempre que saía do carro num local qualquer onde fosse em visita, perguntava: - onde é que está o Mário? E lá ia ele receber as queixas do Mário frente às câmaras da Ti Vê. Consequências disto? ZERO! BÓLA! O outro problema são as capelas, cada um acha que deve ter uma capela. Têm educação para perceber que a hiper-divisão, não leva a lado nenhum.

 A história do sindicalismo terá que ficar para outra ocasião. Uma coisa é certa, desta gente, sejam da CGPT ou da UGT, nunca saiu nada de bom. 

Agosto é tempo de férias, depois marca-se uma manifestação para a 'rentrée', prometem-se greves a isto e aquilo e nada acontece que pare o sistema, que obrigue a que haja mudanças.

Alguns vão ser empalados com estes subsídios, alguns, desses alguns, apreciarão e dirão que finalmente somos 'comidas, já era tempo!".

 Para finalizar, passaram 50 anos. A situação que vivemos é fruto dos acordos de bastidores entre o PS e o PSD. Se a situação está como está, que sentido faz, continuar a votar nos mesmos à espera de mudanças? 

Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. — Albert Einstein dixit.

 

 

Diário de bordo

 26 de Novembro de 2025 

a racha do dia

 o do costume


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25/11/2025

Peregrinação III

Domingo, 16 de Novembro de 2025.

O dia está com cara de poucos amigos.

Domingo de manhã e ruas desertas. Só tenho que ter paciência com o tempo que a Ninfa me quer servir. Coitada, deve ter os dedos com cãibras de tantas figas que deve estar a fazer. 

Os comboios circulam quase vazios.  

Uso o comboio em vez do metro, já que o ponto de partida do meu périplo fica perto da estação.

 

Deambulo. A memória está correcta com um ou outro pormenor que o tempo alterou, as árvores que cresceram, um gradeamento aqui e ali, uma placa que mudou de nome ou um negócio que mudou de ramo, tudo o mais está igual. Ou seja, não está igual, é recordação. 

A chuva por enquanto vai-me deixando andar. 

Perto da hora de almoço quero rumar à Ribeira de Gaia para almoçar, mas não consigo ver um táxi a circular, é certo que posso chamar um, tenho o número da central, mas tenho dúvida sobre o nome do local onde me encontro. Caminho mais um pouco e vejo uma paragem de autocarro. Consulto o percurso que ele faz. A Providência guiou-me os passos para o local certo. É este que vou apanhar. Só que ele faz-se caro e tarda em chegar. Lá acabou por chegar. Confirmo com o motorista se passa ao pé do Corte-Inglês. O autocarro tal como os comboios também circula quase vazio.

Descuidei-me e não fotografei o sócrates que ali estava no jardim,  disfarçado de Pinóquio. Imperdoável.

Subo a avenida no autocarro e desço-a no metro. Entro no Corte-Inglês, subo à zona da restauração, mas não estou com disposição para partilhar a bicha para entrar com um pequeno pelotão de velhos a ganharem-me aos pontos. Desço e mantenho o planeado, rumo à Ribeira. Apanho o metro outra vez, saio no Jardim do Morro e compro o bilhete de ida e volta para o teleférico. 





São quase 13 horas, sento-me no Ar de Rio para almoçar. 

Como sempre digo: - quem não é para comer, não é para trabalhar. Se há coisa que pode esperar, é o trabalho. Sobre a morte, vou pensando de maneira diferente, por vezes adiar, não é a melhor solução.

Prato de peixe e ao passar os olhos pela carta de vinhos, vejo que têm algo que não encontro facilmente nos sítios que frequento. Tapada do Chaves branco a copo, acabo a pagar quase tanto pelo copo como pelo prato. Não me arrependo e se amanhã aqui voltar é para repetir. 

Após o almoço altero o plano, em vez de ir amanhã visitar uma cave, vou hoje. Tinha planeado começar pelas caves do Burmester, mas está encerrada para obras, assim passo à seguinte, a Cálem. 

Chego quase na hora de se iniciar mais uma visita e embarco num grupo de franceses e suíços. 

Das hipóteses à venda, escolho a entrada que dá direito à prova de 3 copos de Tawny, de 10, 20 e 30 anos no final da visita. Foi interessante, fica como referência para uma próxima visita a outra cave. Dos 3 vinhos provados, a minha escolha foi para o Tawny de 20 anos. É esta a vantagem da visita para mim, poder por em confronto dois ou três vinhos e decidir o que me agrada mais. 

Aqui nas caves não há razão para os vinhos serem servidos sem estarem em plenas condições, enquanto que noutros sítios tenho sempre as minhas dúvidas sobre o passado da garrafa, dos trambolhões que ela deu, das condições em que esteve armazenada, se bem que haja histórias de sucesso de vidas atribuladas e não me estou a referir aos vinhos de 'torna-viagem'.

Regresso ao teleférico para subir ao Jardim do Morro e atravesso a pé o tabuleiro superior da ponte D. Luiz I, que me recorde, é a primeira vez que o faço. Vou caminhando sem pressa, ainda é cedo para me encontrar com a loira.


Janto no bar do hotel e deito-me cedo. 

Hoje ainda andei mais do que ontem. 

Amanhã quero estar um pouco depois das 9, no Palácio da Bolsa para a visita.

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24/11/2025

Peregrinação II

Sábado, 15 de Novembro de 2025.

O tempo não está com má cara. 

 
Rumo à Brasileira para tomar o pequeno-almoço. Sento-me, mas parece que não estão interessados em fazer negócio e eu não venho para passar a manhã a ler o jornal, que já não se usa, agora esfrega-se o dedo indicador ou médio no vidrinho, por isso, depois de um compasso de espera - isto acontece-me com frequência, acho que consigo ficar imóvel de tal modo que não dão por mim - levanto-me e vou a outro lado. 
 

Acabo por comer num pequeno café ao qual voltei todas as manhãs, serviço mais rápido com um bónus de simpatia e beleza.

A loja da GN fica quase ao fundo da rua das Flores. Habituado a outro tipo de fachada, passei por ela, sem dar com ela. A loja é das que a GN tem, a maior delas em área. No Porto as fachadas são pequenas mas os prédios estendem-se em profundidade. Fui bem atendido, algo que me vai espantando aqui, de tanto ter que aturar brasileiras, brasileiros e não só em Lisboa.

Perto do meio-dia estou de volta ao hotel e fico a aguardar os meus convidados, para almoçarmos às 13.

 

Tínhamos muito para conversar e quando é assim, o tempo voa. Falamos de coisas boas e menos boas. A vida tem o mais e tem o menos. Muito ficou ainda por conversar. Agradeço-lhes terem aceite o meu convite. Vou recordar estes momentos de convívio. Levantamos-nos já tarde da mesa.

Depois da partida dos meus convidados, passo o resto da tarde a andar sem destino, em passeios cheios de gente como eu, a andarem também sem destino, acompanhados por alguns pingos de chuva.


Regresso ao bar do hotel para me encontrar com a loira.


Acabo por jantar aqui no bar.

 

Subo cedo para o quarto. Sem dar por ela, andei bastante, esta noite vou dormir melhor.

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