25/11/2025

Peregrinação III

Domingo, 16 de Novembro de 2025.

O dia está com cara de poucos amigos.

Domingo de manhã e ruas desertas. Só tenho que ter paciência com o tempo que a Ninfa me quer servir. Coitada, deve ter os dedos com cãibras de tantas figas que deve estar a fazer. 

Os comboios circulam quase vazios.  

Uso o comboio em vez do metro, já que o ponto de partida do meu périplo fica perto da estação.

 

Deambulo. A memória está correcta com um ou outro pormenor que o tempo alterou, as árvores que cresceram, um gradeamento aqui e ali, uma placa que mudou de nome ou um negócio que mudou de ramo, tudo o mais está igual. Ou seja, não está igual, é recordação. 

A chuva por enquanto vai-me deixando andar. 

Perto da hora de almoço quero rumar à Ribeira de Gaia para almoçar, mas não consigo ver um táxi a circular, é certo que posso chamar um, tenho o número da central, mas tenho dúvida sobre o nome do local onde me encontro. Caminho mais um pouco e vejo uma paragem de autocarro. Consulto o percurso que ele faz. A Providência guiou-me os passos para o local certo. É este que vou apanhar. Só que ele faz-se caro e tarda em chegar. Lá acabou por chegar. Confirmo com o motorista se passa ao pé do Corte-Inglês. O autocarro tal como os comboios também circula quase vazio.

Descuidei-me e não fotografei o sócrates que ali estava no jardim,  disfarçado de Pinóquio. Imperdoável.

Subo a avenida no autocarro e desço-a no metro. Entro no Corte-Inglês, subo à zona da restauração, mas não estou com disposição para partilhar a bicha para entrar com um pequeno pelotão de velhos a ganharem-me aos pontos. Desço e mantenho o planeado, rumo à Ribeira. Apanho o metro outra vez, saio no Jardim do Morro e compro o bilhete de ida e volta para o teleférico. 





São quase 13 horas, sento-me no Ar de Rio para almoçar. 

Como sempre digo: - quem não é para comer, não é para trabalhar. Se há coisa que pode esperar, é o trabalho. Sobre a morte, vou pensando de maneira diferente, por vezes adiar, não é a melhor solução.

Prato de peixe e ao passar os olhos pela carta de vinhos, vejo que têm algo que não encontro facilmente nos sítios que frequento. Tapada do Chaves branco a copo, acabo a pagar quase tanto pelo copo como pelo prato. Não me arrependo e se amanhã aqui voltar é para repetir. 

Após o almoço altero o plano, em vez de ir amanhã visitar uma cave, vou hoje. Tinha planeado começar pelas caves do Burmester, mas está encerrada para obras, assim passo à seguinte, a Cálem. 

Chego quase na hora de se iniciar mais uma visita e embarco num grupo de franceses e suíços. 

Das hipóteses à venda, escolho a entrada que dá direito à prova de 3 copos de Tawny, de 10, 20 e 30 anos no final da visita. Foi interessante, fica como referência para uma próxima visita a outra cave. Dos 3 vinhos provados, a minha escolha foi para o Tawny de 20 anos. É esta a vantagem da visita para mim, poder por em confronto dois ou três vinhos e decidir o que me agrada mais. 

Aqui nas caves não há razão para os vinhos serem servidos sem estarem em plenas condições, enquanto que noutros sítios tenho sempre as minhas dúvidas sobre o passado da garrafa, dos trambolhões que ela deu, das condições em que esteve armazenada, se bem que haja histórias de sucesso de vidas atribuladas e não me estou a referir aos vinhos de 'torna-viagem'.

Regresso ao teleférico para subir ao Jardim do Morro e atravesso a pé o tabuleiro superior da ponte D. Luiz I, que me recorde, é a primeira vez que o faço. Vou caminhando sem pressa, ainda é cedo para me encontrar com a loira.


Janto no bar do hotel e deito-me cedo. 

Hoje ainda andei mais do que ontem. 

Amanhã quero estar um pouco depois das 9, no Palácio da Bolsa para a visita.

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