12/01/2026

Diário de bordo

 12 Janeiro 2026

Telefonei como tinha planeado, para saber novas. 

Não sou crente. Serei um agnóstico. Não posso ter a certeza de que Deus não existe, tal como não tenho outras certezas. 

Creio que não existe, mas é só a minha crença. 

O deus das religiões, bondoso, severo com a maldade, possuidor de todos os poderes e ainda mais alguns, não me convence. 

Que necessidade ele tem de por à prova os fracos? Que necessidade ele tem de os castigar com doenças e as suas consequências? Porque não emprega o seu tempo a castigar os que merecem serem castigados? 

As religiões e seus ministros têm resposta para todas estas questões e mais algumas, que eu formule, é esse o seu 'métier', foi para isso que estudaram retórica. Como os políticos palradores os invejam e os tentam emular.

Um dos meus camaradas de curso, o S. era pastor de uma das igrejas protestantes que há em Portugal. 

Era, porque tal como Cavaco que andou a ligar o título académico à remuneração, também a igreja dele, tendo quem se tivesse formado em generalidades e croquetes, passou a entregar o culto a esses 'licenciados' e ele viu-se descartado. Agiu como os comunistas dos tempos iniciais, continuou a Crer, não no Partido que tudo sabia e decida, mas no Deus dele e na sua Igreja.

Passaram a valer mais os canudos, que a Fé.

Recordo-o sempre, como Pessoa Boa, pessoa que teve uma vida atribulada e contra a qual não se rebelou, que eu saiba. Deus, levou-lhe a primeira mulher e deixou-lhe dois filhos pequenos para cuidar. 

Recordo-o também, porque não fomos capazes de lhe dizer que não, eu mais dois, e fomos ao estádio do Belenenses assistir aos 'milagres' que um Pastor canadiano da sua igreja iria fazer. 

A Fé move montanhas. Aqueles que estavam sentados na primeira fila em cadeiras de rodas e que à voz do pastor, se levantaram e caminharam, fiquei na dúvida. Agora quem estava à minha volta e que colocava o missal para que ambos pudéssemos cantar o salmo, estava em transe.

A psicologia de massas tem as suas ferramentas.

Guardo em memória esta experiência que o Irmão M., como todos lhe chamávamos, nos proporcionou, como algo positivo.

Não rezo no sentido religioso. Nem sei como o fazer. Mas o conhecimento de que alguém dos meus poucos conhecidos tem um problema, deixa-me preocupado, a pensar neles e a não saber bem o que fazer e dizer. Exprimo desejo. Gostava de ter a varinha mágica para os resolver, mas infelizmente não sou Deus.

Se o fosse, talvez até fosse um Deus Mau, um Deus castigador daqueles que eu considero merecedores de castigo. Mas seria a minha opinião correcta?

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urtiga

a sua beleza e a sua maldade

"...Como é possível gostar
De quem nos faz tanto mal..."


um pouco de decência minha pega, não vais dar uma bicada no cogumelo, pois não?



last, but not least

fotos: _morgado - under licence: Creative Commons Attribution 4.0 International (CC-BY-4.0)
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