09/11/2025

Igualdade

 'qualidade de igual'. 

Para alguns, nascemos todos assim. Pode ser, mas depois de nos lavarem, cada um vai para o seu berço e esse nada tem de igual, é desigual à nascença. Pouco são os que quebram essas amarras e se emancipam, adquirindo a sua carta de alforria.

Não há igualdade, todos somos diferentes, e quando há igualdade, vivemos num sistema ditatorial. A igualdade é forçada, quando vestimos uma farda, damos a parecença de que, somos todos iguais, mas para além do aspecto exterior, cada um é diferente de todos os outros.

Nada na natureza confirma essa ideia de igualdade, tão querida a uma esquerda dada à engenharia-social.

Vejamos este medronho, árvore que existe aqui num 'espaço verde', é essa a cor da relva semeada, senão seria 'espaço de uma outra cor', é fruto da mesma árvore, do mesmo tronco, da mesma raiz. Onde é que está a igualdade?


talvez a culpa seja deste aqui, que deve ter deixado alguns geniceus por fecundar. Cada um faz o que pode e a mais não é obrigado.

Fernando Pessoa pôs Alberto Caeiro, a falar sobre a desigualdade no poema O Pregador de Verdades

Alberto Caeiro

Ontem o pregador de verdades dele

Ontem o pregador de verdades dele

Falou outra vez comigo.

Falou do sofrimento das classes que trabalham

(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).

Falou da injustiça de uns terem dinheiro,

E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer,

Ou se é só fome da sobremesa alheia.

Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.

Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!

Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é deles.

E não se cura de fora,

Porque sofrer não é ter falta de tinta

Ou o caixote não ter aros de ferro!

Haver injustiça é como haver morte.

Eu nunca daria um passo para alterar

Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.

Mil passos que desse para isso

Eram só mil passos.

Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,

E um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.

Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais.

Para qual fui injusto — eu, que as vou comer a ambas?

  foto: _morgado - under licence: Creative Commons Attribution 4.0 International (CC-BY-4.0)
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