'qualidade de igual'.
Para alguns, nascemos todos assim. Pode ser, mas depois de nos lavarem, cada um vai para o seu berço e esse nada tem de igual, é desigual à nascença. Pouco são os que quebram essas amarras e se emancipam, adquirindo a sua carta de alforria.
Não há igualdade, todos somos diferentes, e quando há igualdade, vivemos num sistema ditatorial. A igualdade é forçada, quando vestimos uma farda, damos a parecença de que, somos todos iguais, mas para além do aspecto exterior, cada um é diferente de todos os outros.
Nada na natureza confirma essa ideia de igualdade, tão querida a uma esquerda dada à engenharia-social.
Vejamos este medronho, árvore que existe aqui num 'espaço verde', é essa a cor da relva semeada, senão seria 'espaço de uma outra cor', é fruto da mesma árvore, do mesmo tronco, da mesma raiz. Onde é que está a igualdade?
talvez a culpa seja deste aqui, que deve ter deixado alguns geniceus por fecundar. Cada um faz o que pode e a mais não é obrigado.
Fernando Pessoa pôs Alberto Caeiro, a falar sobre a desigualdade no poema O Pregador de Verdades
Ontem o pregador de verdades dele
Ontem o pregador de verdades dele
Falou outra vez comigo.
Falou do sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer,
Ou se é só fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.
Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!
Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é deles.
E não se cura de fora,
Porque sofrer não é ter falta de tinta
Ou o caixote não ter aros de ferro!
Haver injustiça é como haver morte.
Eu nunca daria um passo para alterar
Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.
Mil passos que desse para isso
Eram só mil passos.
Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,
E um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.
Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais.
Para qual fui injusto — eu, que as vou comer a ambas?
foto: _morgado - under licence: Creative Commons Attribution 4.0 International (CC-BY-4.0)
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