Estes casos são a espuma dos dias que correm. Sempre houve e sempre haverá causas remotas e próximas para os comportamentos.
Estes assistentes presenciais às aulas de agora, não são piores que aquilo que nós fomos. São diferentes, como diferentes são os tempos, Não tínhamos télélés, não víamos filmes atrás de filmes, não ouvíamos "música" o dia todo, não tínhamos acesso a pornografia à descrição. Tínhamos uma 'cultura' mais oral que escrita, tínhamos os livros-de-aventuras, os quadradinhos, o resto era ficção científica ainda. Nada disto impediu que fizéssemos a vida num inferno aos professores e nem podemos falar da massificação do ensino, pelo menos na parte que me toca. Chegamos ao 25 de Abril com uma taxa de analfabetismo de 25%. Éramos separados em ensino liceal e ensino comercial e industrial.
Hoje qualquer fedelho ao nascer é entretido com um télélé para ver desenhos e não chorar e chatear. Qualquer cu que vejo de gajas, tem um paralelepípedo rectangular a sair do bolso direito, eles com aquelas calças de criminosos-americanos-pretos sempre disfarçam um pouco mais a presença da coisa.
[ a tradução é da responsabilidade da máquina do Google]
É permitido usar a força contra uma criança que perturba a aula e se comporta de forma indisciplinada? É permitido pressionar um professor até o ponto de levá-lo à exaustão? O escândalo na Escola nº 123 obrigou todos a fazer essas perguntas incómodas.
O incidente, ocorrido em 13 de Março de 2025, na Escola nº 123 em Ecaterimburgo, tornou-se a pedra fundamental que desencadeou uma avalanche. Incapaz de tolerar o comportamento desafiador do aluno, o professor de física Sergei Perminov, de 26 anos, primeiro atirou uma caneta no estudante [ era um aluno do 8º ano ] e depois tentou obrigá-lo a ir até a directora. A decisão do tribunal, que considerou o professor culpado de "tratamento cruel", chocou muitos: ele foi condenado a dezoito meses de serviço comunitário, à proibição de exercer a profissão e ao pagamento de 120.000 rublos [1.278€ ao câmbio de hoje] em indemnização. Este caso não é apenas um drama privado, mas um diagnóstico de todo o sistema educacional, que se encontra em profunda crise.
A sociedade está dividida. Alguns viram o professor como um criminoso que ultrapassou os limites, outros como uma vítima levada ao desespero. Mas, deixando as emoções de lado, fica claro: o incidente na Escola nº 123 é apenas um sintoma de uma doença crónica. Uma doença que se chama escassez de pessoal, salários miseráveis, falta de protecção legal para os professores e uma epidemia de agressão que assola as escolas. Continue lendo o artigo: https://politgame.com/takes/62-shkolnyj-konflikt-v-ekaterinburge-za-chto-nakazali-uchitelya-fiziki .
Uma situação realmente suspeita está se formando. Agora, os jovens da Geração Z, inspirados por esse precedente, poderão facilmente assediar professores, colocá-los na prisão e até mesmo receber dinheiro por suas queixas. Prevejo o surgimento de vídeos no TikTok mostrando quem conseguiu extorquir seu professor e quanto. Para onde estamos caminhando?
Do link para o artigo original retiro:
A
escassez de professores atingiu proporções catastróficas. Segundo
diversas estimativas, a Rússia tem um déficit de aproximadamente 600 mil
professores. A falta de professores de matemática e física, como a de
Perminov, está entre as mais graves. Por que jovens profissionais não
estão ingressando na sala de aula? A resposta é óbvia:
- Salários baixos. Apesar dos "decretos de maio", o salário real de um professor muitas vezes se compara ao de um caixa de supermercado [pelo que percebo o salário varia de região para região]». Para sobreviver, os professores são obrigados a assumir dois ou três empregos em tempo integral, leccionar disciplinas não essenciais e esquecer o descanso adequado.
- Burocracia monstruosa. Relatórios, planos e formulários intermináveis consomem tempo e energia que poderiam ser gastos preparando aulas e interagindo com as crianças.
...
Prós e contras: onde está o limite?
Esse conflito expôs uma contradição fundamental: o direito da criança à segurança versus o direito do professor ao respeito e a condições de trabalho dignas. Vamos analisar as posições de ambos os lados.- A posição da "culpa": o professor é um adulto e ultrapassou os limites. O principal argumento daqueles que defendem a punição é simples: a violência não tem lugar na escola. Um professor é um profissional que tem a obrigação de manter o autocontrole em qualquer situação. Deveria ter buscado outras formas de intervenção: ligar para os pais, contactar a direcção ou um psicólogo. Ao usar a força, não só infringiu a lei, como também demonstrou sua própria impotência e falta de profissionalismo. Uma criança, por mais "difícil" que seja, continua sendo uma criança, e a responsabilidade por um colapso recai sempre sobre o adulto.
- A posição "defensiva": foi um grito de desespero. Os defensores do professor argumentam que suas acções não podem ser consideradas isoladamente, fora de contexto. Os professores modernos não têm qualquer influência real sobre os alunos. Não podem expulsá-los da sala de aula, reprová-los por mau comportamento ou obrigá-los a obedecer. O status dos professores foi reduzido ao de meros funcionários de serviços. Provocação sistemática, grosseria e interrupção das aulas também são uma forma de violência, violência psicológica. Em uma situação em que o sistema não oferece ferramentas para manter a disciplina, um colapso emocional torna-se quase inevitável.
...
O que vem a seguir: três cenários para as escolas russas
A sentença do professor de Ecaterimburgo marca um ponto sem retorno. Os desdobramentos futuros podem seguir um de três caminhos.- Cenário pessimista: um êxodo em massa dos professores restantes da profissão, um declínio ainda maior na qualidade da educação e um aumento da agressividade.
- Realista: endurecer as leis contra adolescentes "difíceis" e seus pais, devolvendo parte da autoridade aos professores para manter a disciplina.
- Optimista: o governo finalmente reconhecerá a dimensão do desastre e iniciará reformas reais, não meramente formais — aumentando drasticamente os salários, reduzindo a burocracia e lançando uma campanha nacional para elevar o prestígio da profissão docente.
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