Ontem não estavas aqui, para me ver passar. Na sexta-feira estavas, mas não me ligaste nenhuma, estavas a olhar para a janela do 1º andar, devias estar à espera de ser servido.
Em tempos que já lá vão, conheci um gato como tu, preto. Vivia com uma “bruxa má e feia”. Há humanos que “gostam” de animais, mas que, não gostam dos animais como eles são, assim ele foi esterilizado. Esterilizado é o termo erudito para o popular, falta de tomates.
Esse teu colega felino vivia, como todos os que têm por azar, servir os humanos nas suas carências emocionais, alimentado com um granulado seco, sabe-se lá do que aquilo é feito, vivia num espaço relativamente pequeno, sem as delícias que tu podes aqui gozar e que ele só no final da sua existência, teve direito.
Um colega teu ainda não há muito tempo, cruzou-se comigo a esta hora ali na avenida, vindo das árvores do Liceu com um pombo preso na boca. Onde é que estes prazeres são dados a um prisioneiro de apartamento? Um pouco de peixe ou carne temperados e viva o velho, mas, depois lá vem o raspanete indigesto pelo roubo.
Tens sorte, és livre, não tens coleira contra as pulgas, vives sem idas ao “veterinário”, que é uma espécie de médico, que como os seus colegas dedicados aos humanos, fez o Juramento a Mamon e não a Hipócrates. Podes viver menos anos, mas vives uma vida cheia de emoções.
foto: _morgado - under licence: Creative Commons Attribution 4.0 International (CC-BY-4.0) (clicar para ampliar)

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