31/10/2025

Culinária

 
Manuel Joaquim Machado Rebelo, penso que o nome nada dirá ao comum dos mortais, mesmo a Norte do Reino, mas que se nomeado pela sua alcunha, todos o conhecerão. Também não sei, se o ligarão à famosa “francesinha”, não essa, mas a que é papada de faca e garfo. Abade de Priscos o seu epíteto.

Como ele dizia, as suas receitas estavam na ponta dos seus dedos e acrescentava “a culinária é uma arte muito bela, mas depende inteiramente do artista que a pratica”.

 Assim que me perdoem as árabes, mas esta é a minha interpretação do arroz árabe. E digo árabes, porque por estranha que pareça, não são muitos o nomes femininos ligados à Culinária que ficaram na História. A Culinária é essencialmente masculina, apesar de serem as mulheres quem ao longo da História a criaram, a mantiveram, a transmitiram.

Há nomes femininos ligados à culinária, pastelaria, ... Pavlova é um deles.  A Anna Pavlova "nascida de mãe solteira, no seio de uma família de camponeses pobres, não gostava de falar de seu pai, afirmando que ele morreu quando tinha dois anos de idade. Os historiadores afirmam que ele era um soldado judeu quando do seu nascimento e mais tarde um comerciante. Aos oito anos, como presente de aniversário, sua mãe a leva para assistir ao espetáculo de balé: "A Bela Adormecida" no teatro Mariinsky [ O Mariinsky é o principal teatro de São Petersburgo]. Emocionou-se tanto, que decidiu a partir daquele dia se dedicar à dança." (cito da wikipedia) e faço aqui um parêntesis para apontar a "camponeses pobres". 

Estávamos em 1938, os bolcheviques estavam no poder e a guerra na Europa ia rebentar daqui a um ano. Gente pobre ia ao 'ballet'? No Portugal do Monte-de-Bosta que se seguiu ao António-Bosta, não vão, podem quanto muito ir ao espetáculo do Quim Barreiros ou da Rosinha, que o presidente da/de câmara pagou com o dinheiro de todos e do qual pretende ter votos como recompensa. 

Pavlova fica na história não como doceira, cozinheira, mas como fruto de uma paixão de um Chefe de cozinha, que a cria em sua homenagem, e ainda bem que ele o fez. 

Fecho aqui o parêntesis.

 Enquanto eles sentados na sala com uma cerveja na mão, iam vendo a transmissão do jogo do pau e bola no lameiro da antas por exemplo, elas na cozinha tentavam acender o lume, mantê-lo aceso, controlar a sua força.

 Por isso faz-me espécie, que haja gajas que gostem de ‘sushi’, eles ainda posso entender, pouco dotados em geral, comer cru ou lá perto é a saída. Agora elas, não homenageiam as antepassadas, que passaram as passas do Algarve, para que o Fogo passasse a ser o que diferencia o Homem do Animal.

 Nenhum animal cozinha alimentos, pode comê-los cozinhados, queimados, esturricados, mas não os cozinham.

Por isso minhas megeras deixem-se de ‘sushi’, optem pela salsicha que também tem a mesma forma. 

Lendo a Bíblia não se fica com a certeza de que Deus nos 6 dias em que criou o Mundo, no 7º não trabalhou, tenha criado os temperos, criou muita bicharada, alguma dela desnecessária, um pouco menos de bichos e bichas e nada se perderia. Por isso sou levado a crer que, os temperos terão sidos as manhas herdadas de Eva pelas mulheres, que os criaram. 

Perdido o Paraíso, perdido o ‘dolce far niente’ perdido por mil e venham de lá os temperos para apimentar, adoçar, … a comida.

Sobre Comidas e Culinária a melhor obra que já li.

Está disponível na 'internet' para quem 'sabe'. Eu depois de ter 'sabido', comprei a edição em papel.

os temperos

libertar os sabores


incorporar no fim

 

enquanto o Diabo esfregou o olho. 

A salsicha? Não faz parte do arroz árabe, é um extra. Assim ao jeito da celulite. É que sem ela, a coisa fica com ar que foi 'fótó-chupada'.

Prá mesa!


 

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